A situação dos brasileiros que saíram do Brasil para trabalhar no Japão e estão vivendo em condições precárias está mobilizando diversos segmentos da sociedade e é alvo da campanha ‘SOS Dekassegui’, que a Folha do Paraná/Folha de Londrina lançou anteontem. Neste dia 4, dirigentes de entidades de proteção aos dekasseguis e políticos se reunirão em Brasília, para tratar da questão. Eles estão sendo convocados diretamente pelo ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, que também pretende buscar soluções para o problema, numa demonstração de que o tema, pela sua amplitude, começa a ganhar prioridade na esfera federal.
O vereador Rui Hara (PFL), de Curitiba, presidente da Associação de Apoio aos Dekasseguis (AAD), a única que tem função multissetorial no País, participará da reunião. Segundo ele, ações como esta são importantes para confortar os brasileiros que foram para o Japão em busca da realização de sonhos e que hoje estão passando dificuldades. Entre as importantes medidas que vêm sendo realizadas, ele citou também a campanha da Folha.
A ação do Jornal tem basicamente o objetivo de apoiar a Associação dos Imigrantes no Brasil (Asibras), que está realizando uma operação de resgate dos dekasseguis em situação mais crítica, e também abrir espaço para as demais entidades num debate amplo sobre o problema e suas consequências sociais. Segundo Hara, por causa das dificuldades, alguns dekasseguis estão morando embaixo de pontes, doentes e sem dinheiro para voltar ao Brasil.
Mas o presidente da AAD diz que apesar dos problemas, muitos deles não querem retornar ao País em situação ruim. ‘‘Com isso, eles estariam assumindo um fracasso que não fazia parte de seus projetos quando resolveram partir em busca de trabalho e dinheiro’’, comenta.
Segundo Hara, os brasileiros que moram no Japão enfrentam uma vida de escravidão. Eles trabalham entre 10 e 14 horas, de segunda-feira a sábado, em serviços pesados e sujos que os japoneses se recusam a executar. Para economizar eles vivem em alojamentos, normalmente habitados por várias pessoas.
Tsuyoshi Kono, que vive em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, sabe bem as dificuldades enfrentadas pelos brasileiros no Japão. Com a experiência de quem já foi quatro vezes para aquele país, ele conta que trabalhou como motorista e na produção de peças de carros. Foram nove anos de idas e vindas que lhe renderam cerca de US$ 80 mil, investidos em três empresas que acabaram não dando certo. Hoje, quatro meses depois de sua última volta, ele diz que a experiência lhe deixou marcas profundas, difíceis de esquecer.
Devido à distância da família, Kono tem problemas psicológicos até hoje, chegou a ficar um ano sem conseguir falar e ainda enfrenta períodos de amnésia. Na última viagem, recebeu no Japão a notícia de que uma filha ficara muito doente no Brasil e, quando conseguiu voltar, ela já havia entrado em coma e acabou falecendo. Não houve tempo para que Kono se despedisse.

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