Curitiba O ministro da Saúde, Humberto Costa, deve estar em Londrina nos próximos dias para avaliar a situação da dengue e definir formas de apoio do governo federal para controle da doença na cidade. O convite foi feito ontem pelo prefeito Nedson Micheletti (PT), que aproveitou a ida do ministro à Curitiba para uma reunião com secretários de Saúde do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e de avaliação do Programa Nacional de Controle da Dengue na região Sul.
Esta é a última região do País visitada pelo Ministério. O aumento no número de casos de dengue no Sul, em especial no Paraná, de acordo com Costa, é uma exceção. Dados nacionais mostram que houve uma queda de 80% no número de casos em relação a 2002. No ano passado foram registrados 800 mil casos no Brasil, sendo 521 mil entre janeiro e maio época de maior incidência do vírus. Este ano, até agora houve 79 mil casos.
A situação é diferente na região Sul. No primeiro bimestre deste ano os três Estados registraram 1.685 casos, representando uma redução de apenas 2,66% em relação ao mesmo período de 2002, quando houve 1.731 casos. O Paraná é o Estado mais preocupante, sendo responsável por 86% das notificações do Sul. Em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, por sua vez, não foi detectado nenhum caso de dengue autóctone (adquirida no local).
''O Paraná tem uma situação peculiar porque algumas regiões apresentam o clima semelhante ao do Sudeste, que é mais favorável ao vírus da dengue'', afirmou o chefe do Centro Nacional de Epidemiologia Jarbas Barbosa. Nos dois primeiros meses deste ano o número de casos aumentou 128,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Os municípios de Londrina, Assis Chateaubriand e Foz do Iguaçu concentram a maior parte das notificações. Só em Londrina foram confirmados até quinta-feira 1.796 dos 3.527 casos registrados no Estado, sendo três casos de dengue hemorrágica.
''Mesmo com este crescimento a situação não é alarmante'', afirmou o ministro. Ele garantiu, ainda, que todas as medidas de ataque ao vírus estão sendo tomadas, como a eliminação de possíveis focos, aplicação de larvicidas e conscientização da população. ''O ministério dá apoio técnico e financeiro e, se preciso, vamos dar mais para estes locais.
Segundo Barbosa, aliada à facilidade ambiental, a população de municípios onde não ocorreram a doença em outros anos é muito mais suscetível ao vírus. Como exemplo, ele cita o Rio de Janeiro, que atingiu níveis assustadores de dengue em 2002. ''A população ficou imunizada'', diz. Estados que preocupavam o governo pelo grande número de casos, como Espírito Santo e Mato Grosso, segundo o ministro, também estão conseguindo reduzir seus índices.
Assim como em 2002, o Ministério vai investir R$ 1 bilhão no controle à dengue no País, na compra de equipamentos, veículos, larvicidas e pagamento de 48 mil agentes de saúde. O governo federal também fechou parceria com outros países para fazer testes com uma vacina contra a dengue. Por enquanto os testes estão sendo feitos apenas na Malásia e Costa Rica, países que já tiveram quatro sorotipos de dengue. No Brasil foram detectados apenas três tipos de vírus.

mockup