Ministro inspeciona obras de torres
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quarta-feira, 05 de novembro de 1997
Cristine Pieske e Valmir Denardim Curitiba e Foz do Iguaçu 
Caio Coronel/ItaipuCircuitos fechadosOperador no painel da casa de máquinas da Itaipu monitora o fornecimento de energia para Furnas; nove turbinas estão paradas devido à queda das torresO Ministro de Minas e Energia, Raimundo Britto, chega hoje de manhã em Vera Cruz dOeste (52 quilômetros a oeste de Cascavel), para inspecionar as obras de recuperação das 10 torres de transmissão de Furnas Centrais Elétricas, derrubadas na manhã de domingo por um vendaval. Segundo a assessoria da Itaipu, o ministro desembarca às 9h45 no aeroporto de Foz do Iguaçu, onde será recebido pelo diretor-geral da hidrelétrica Euclides Scalco. Em seguida, se deslocam para Vera Cruz dOeste de helicóptero.
ConsumoA redução no consumo de energia elétrica entre 19h e 22h, recomendada pela Copel para evitar os riscos de blecaute, fez com que os cortes de luz previstos para a noite segunda-feira no Paraná fossem realizados em número menor do que o estimado. O presidente da Copel, Ingo Hubert, acredita que as temperaturas mais baixas e a colaboração da população economizando energia evitaram medidas drásticas. Isto demonstra que, com a ajuda de todos, talvez possamos passar pelo período de crise sem cortes mais graves, afirmou.
A partir das 19h15 de segunda-feira, quando o racionamento de energia na área da Copel foi iniciado, foram cortados por alguns minutos cerca de 20 circuitos alimentadores em todo o Paraná. No momento de consumo máximo, a carga do sistema na noite de segunda-feira foi de 2,3 mil megawatts - 230 megawatts menos do que o calculado pela Copel com base na média de consumo da semana anterior.
Em algumas cidades do Paraná, as indústrias que consomem mais energia também diminuíram sua capacidade de produção durante o período de pico de consumo, entre 19 e 21 horas.
Chuva diminuiA chuva parou anteontem à noite e ontem, ao clarear do dia, 190 técnicos de Furnas retomaram o trabalho de substituição das dez torres da rede de transmissão de energia. A chuva de anteontem estava dificultando o trabalho porque as torres caíram em uma lavoura, local de difícil acesso com o solo molhado.
O chefe de Produção de Furnas para o Paraná, José Maurício Zaroni, disse ontem à tarde que, se não chover mais esta semana, é possível manter a previsão inicial para o conserto dos dois circuitos afetados. De acordo com essa previsão, o circuito 1 (onde caíram quatro torres) deverá estar restabelecido até sábado. Os consertos no circuito 2 (onde caíram seis torres) deverão ser concluídos em 15 dias.
Estamos trabalhando a todo vapor, afirmou Zaroni. A dificuldade de acesso devido à umidade do solo está obrigando os técnicos a fazer a pré-montagem das torres - divididas em partes - em um barracão distante da área do acidente. Todo o material que será utilizado na operação já havia chegado ontem de Campinas (SP), onde está localizado o Almoxarifado Central de Furnas (empresa estatal que administra o sistema de distribuição de energia de Itaipu e outras usinas).
Segundo Zaroni, é difícil estimar o custo da operação. Cálculos realizados por Furnas com base em acidentes anteriores apontam que o custo médio da substituição de uma torre é de R$ 150 mil. Utilizando-se essa base, a operação em Vera Cruz do Oeste não deverá custar menos de R$ 1,5 milhão.
A queda das torres interrompeu a passagem para os grandes centros consumidores do País de 5 mil megawatts - metade da energia elétrica produzida por Itaipu. Nove das 18 turbinas foram desligadas. A hidrelétrica responde por 30% da energia consumida no Brasil.
Para tentar diminuir o déficit no fornecimento, Itaipu colocou em funcionamento, às 19h30 de anteontem, horário de pico no consumo, a única das nove turbinas do circuito não afetado pelo acidente que estava parada. Esse equipamento estava em manutenção havia uma semana e só deveria ser acionado no próximo domingo.
A turbina acionada anteontem produz cerca 600 megawatts, energia suficiente para abastecer uma cidade com 1 milhão de habitantes. Isso representa pouco mais de 11% da perda acumulada pelas nove turbinas paradas pelo acidente: 5.300 megawatts.


