O ministro da Justiça, Renan Calheiros, determinou anteontem em Brasília que seja aberto inquérito administrativo para apurar denúncias feitas por estrangeiros que vivem em Foz do Iguaçu. Eles acusam a Polícia Federal de ter cometido abusos durante blitz no início do mês, para identificar estrangeiros em situação ilegal.
A decisão do ministro foi tomada durante reunião com membros de uma comissão de Foz, que esteve em Brasília para pedir providências. Calheiros recebeu um dossiê com reportagens sobre as operações da PF e propostas com o objetivo de diminuir o índice de violência em Foz e região, além de denúncias de cerca de 20 pessoas que se sentiram lesadas por terem suas residências invadidas pela polícia, que não portava mandado judicial durante blitz.
O ministro também garantiu que vai solicitar à PF que auxilie nas ações desenvolvidas pela comunidade durante a campanha ‘‘Sou da Paz’’, que tem a finalidade de incentivar o desarmamento na cidade. Segundo o presidente da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil, Márcio de Souza, o Ministério da Justiça vai pedir que a PF ajude no recolhimento das armas.
Souza também informou que Foz deve firmar nos próximos dias um convênio com o Núcleo de Estudos Sobre Violência da Universidade de São Paulo (USP). O professor Paulo Sérgio Pinheiro, responsável pelo Núcleo, deverá fazer um estudo sobre a violência praticada na Tríplice Fronteira. O convênio deve contar com a parceria da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).
A Polícia Federal de Foz do Iguaçu vem realizando operações na fronteira entre Brasil, Argentina e Paraná desde o início do ano. Além da permanência de estrangeiros clandestinos, a polícia também procura combater o narcotráfico e contrabando.
A colônia árabe, uma das maiores do País, alega que seus integrantes estariam sendo perseguidos por autoridades da Tríplice Fronteira, que investigam a possível existência de grupos terroristas islâmicos na região.

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