Ministro de Cuba visita universidades
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terça-feira, 07 de outubro de 1997
Lúcio Horta Londrina 
O vice-ministro da Educação Superior de Cuba, Miguel Garrido Arce, esteve ontem em Londrina em visita pelo campus da Universidade do Norte do Paraná (Unopar) e também da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ele chegou ao País a semana passada, a convite do Ministério da Educação, com um só objetivo: estreitar os laços de intercâmbio e integração do ensino superior entre Cuba e Brasil. Além de Londrina, Garrido já esteve em universidades de São Paulo e Brasília e amanhã viaja para Foz do Iguaçu, Rio de Janeiro e Curitiba. Depois, parte para a Espanha.
Esta é a sexta vez que o vice-ministro vem ao País. E a primeira em que conhece Londrina. Para ele, a Cidade apresenta um dos bons exemplos de como pode ocorrer a integração que ele propõe: há mais de um ano nove docentes cubanos estão dando aulas e fazendo pesquisas na Unopar. São cinco professores da área de informática e quatro da área agropecuária (biotecnologia animal e vegetal). Os professores cubanos podem elevar a qualidade do ensino no Brasil, mas o intercâmbio serve também para a própria formação de cada um, conhecendo culturas diferentes, aponta.
Além da troca de professores - atualmente são mais de 120 docentes cubanos dando aulas em universidades brasileiras -, Garrido pensa em, a partir de agora, incrementar o intercâmbio nas áreas de pesquisa e pós-graduação, principalmente no setor agropecuário. Como exemplo, ele cita um convênio entre a Capes (Coordenadoria de Assuntos de Pesquisa do Ensino Superior, ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia), no ano passado, quando foram oferecidas 60 bolsas de estudo para professores cubanos estudarem no Brasil.
Outro projeto ele vai conhecer hoje, em Foz do Iguaçu: é o Centro Internacional de Pós-Graduação, que irá atender a formação de mão-de-obra qualificada para oferecer aos países do Mercosul. Além do Brasil, que conta com as 38 escolas ligadas à Abruem (Associação Brasileira de Reitores das Universidades Estaduais e Municipais), inclusive a UEL e a Unopar, o Centro reúne também duas universidades paraguaias, duas uruguaias, quatro chilenas e oito argentinas. Em breve, Cuba também pode optar pela participação.
Miguel Garrido disse que é difícil comparar o sistema de ensino superior de um país com dimensões continentais e milhões de habitantes, como o Brasil, com outro insular, no Caribe. Nós temos a universidade brasileira em alta consideração, o nível é muito alto, garante o vice-ministro.
O vice-ministro comenta que hoje Cuba mantém 56 universidades, com aproximadamente 130 mil alunos e 22 mil professores. Há 30 anos, ele lembra, eram apenas cinco universidades. O investimento pesado em educação fez com que algumas áreas tenham esgotado as possibilidades profissionais. Tanto que, na década de 80, o número de estudantes nas universidades era maior: cerca de 300 mil. Garrido destaca que, apesar do número de alunos ter diminuído na última década, o número de professores foi mantido, elevando a atenção e a qualidade do ensino praticado no País. Hoje nós somos o país que mais professores tem para cada 10 mil alunos.


