Ministro cubano visita Universidade
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quinta-feira, 13 de novembro de 1997
Lúcio Horta Londrina 
Paulo WolfgangPlanos de intercâmbioAlegret (centro), com o reitor Jackson Proença Testa e a vice-reitora Nitis Jacon: protocolo de intenções entre UEL e CubaUm rápido encontro ontem pela manhã, no campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL), marcou a assinatura de um protocolo de intenções de intercâmbio entre a própria UEL e o Instituto do Ensino Superior de Ciências Agropecuárias de Havana (Iscah).
A delegação cubana, que ficou até ontem na Cidade, foi chefiada pelo ministro do Ensino Superior de Cuba, Fernando Vecino Alegret. Foi a primeira visita do ministro a Londrina.
O reitor da Iscah, Julian Rodrigues, e o embaixador de Cuba no Brasil, Ramon Paradi, entre outras autoridades cubanas, também estavam presentes ao lado do reitor da UEL, Jackson Proença Testa, e da vice-reitora, Nitis Jacon.
A delegação de Cuba chegou ao Brasil ainda na sexta-feira, quando teve encontro reservado com o ministro da Educação Paulo Renato de Souza, em Brasília. De lá, passou pela Bahia, São Paulo, Pernambuco e Rio de Janeiro, antes de chegar ao Paraná, na última segunda-feira.
Em Londrina, além da UEL, a delegação também firmou convênio de cooperação técnico-científica entre o Iscah e a Universidade do Norte do Paraná (Unopar) para o desenvolvimento de pesquisas, cursos de especialização, pós-graduação e doutorado na área de Ciências Agrárias. Hoje, eles estarão em Curitiba.
Fernando Alegret é um dos nomes mais importantes dentro da hierarquia do governo de Fidel Castro, que tomou o poder em 1959, depois de derrotar as tropas leais ao presidente Fulgencio Batista.
Alegret é ministro há 21 anos - o mais antigo de toda a equipe de Fidel - e quando ainda era estudante lutou ao lado do legendário guerrilheiro Ernesto Che Guevara na região de Sierra Maestra. Esse movimento de guerrilha, liderado por Fidel e Guevara, culminou com a revolução na ilha de Cuba.
Ontem, Alegret assistiu a um vídeo sobre a UEL, no gabinete do reitor, e depois recebeu homenagem na Sala de Reuniões dos Conselheiros. Apesar de ser a primeira vez que visita Londrina, o ministro afirmou que tem tido uma impressão muito positiva da Cidade, principalmente em função da parceria desenvolvida com a Unopar, onde hoje dão aulas nove professores cubanos.
A cidade é hospitaleira, os professores aqui são bem tratados e acho que nós podemos contribuir com o desenvolvimento local, como por exemplo na área de biotecnologia vegetal, disse.
O ministro apontou ainda que o contato entre a educação de Cuba e a do Brasil tem sido estimulado há vários anos, sobretudo com a participação de professores cubanos nas universidades brasileiras. Outro ponto que começa a ser desenvolvido é na área de pós-graduação. Nós temos problemas de formação de doutores em Cuba, diz Alegret. Ele conta que hoje 20% dos professores universitários são doutores, mas a meta do país é que até o ano 2.000 esse número suba para 50%. Ele explica que Cuba hoje investe na investigação científica como uma forma de desenvolvimento.
O diretor de Relações Internacionais do Ministério da Educação, Sílvio Batusanschi, que também esteve em Londrina acompanhando a comitiva cubana, comentou que o intercâmbio entre os dois países tem evoluído nos últimos 10 anos, trazendo benefícios tanto para Cuba quanto para o Brasil.
Ele disse que em setembro uma outra comitiva, organizada pela Associação de Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (Abruem), presidida por Jackson Proença Testa, vai até o Caribe conhecer a experiência cubana em educação.


