Ministro acompanha ação antipirataria
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quinta-feira, 24 de setembro de 1998
Lucinéia Parra 
O ministro da Justiça, Renan Calheiros, esteve ontem em Maringá acompanhando a maior apreensão de fitas e CDs virgens que seriam utilizados para gravações piratas. Todo material, cerca de 2 milhões de fitas e CDs, estava na empresa Max Fitas Comércio e Importação Ltda, de propriedade de Eder Carlos Furlan e Benedito Furlan.
Calheiros chegou a Maringá acompanhado do diretor-geral da Polícia Federal, Vicente Chelotti. O ministro e o delegado da PF acompanharam a apreensão a pedido do presidente Fernando Henrique Cardoso que quer total empenho para a operação Caça Pirata, desencadeada em quatro estados brasileiros.
A Polícia Federal já sabia que se tratava de um esquema altamente profissional de pirataria. Por isso, se preparou para esta apreensão que é a maior do País, disse Calheiros. Segundo ele, a PF identificou 800 pontos de vendas em todo o País que recebiam fitas de Furlan. A operação quebrou a principal cadeia de distribuição de fitas e CDs piratas no País, acrescentou.
Marcos NegriniLeilãoPoliciais
recolhem as
caixas com
2 milhões
de fitas
virgens
que seriam
utilizadas
para pirataria;
o material
apreendido
foi
encaminhado
para a
Receita
Federal,
que poderá
fazer
leilão
das fitasO próximo passo, segundo o ministro, é punir as pessoas que praticam a pirataria e tentar modificar a legislação vigente, aumentando a pena e não permitindo fiança para este tipo de crime. Segundo o ministro, o presidente FHC está muito preocupado com a pirataria no País. Mais do que evasão fiscal, a pirataria representa um dano muito grande à criação e à formação intelectual.
A apreensão de ontem ocorreu oito dias após a primeira etapa da operação desencadeada em Maringá, que contou com a participação de 65 policiais federais do Paraná e Santa Catarina. No dia 16, os policiais estouraram as empresas pertencentes ao empresário Eder Carlos Furlan, que foi preso em flagrante. Segundo o delegado Antônio Borges, Furlan foi libertado na terça-feira depois de pagar fiança de R$ 25 mil.
Nos últimos oito dias, conforme o delegado, coordenador da operação em Maringá, a investigação foi feita em cima de toda documentação apreendida no dia 16. Descobrimos através das notas fiscais que a sonegação praticada pelo empresário Eder Furlan é de aproximadamente 70% sobre todo material e equipamento disponível na empresa.
Segundo Borges, Furlan trazia mercadorias contrabandeadas do exterior e as esquentava com notas fiscais frias. Ele se creditava do ICMS com estas notas fiscais frias e comercializava os produtos sem o pagamento dos impostos, explicou. Ainda de acordo com Borges, o empresário remetia para o exterior cerca de R$ 100 mil por semana para a compra de materiais. O dinheiro era enviado para o Paraguai (para um laranja) e depois remetido para os países considerados paraísos fiscais.
Furlan, conforme Borges, vendia cerca de 3 milhões de fitas e CDs virgens para pirataria por mês. Foram apreendidos 2 milhões e o resto deve estar com os pirateiros. O diretor-geral da PF, Vicente Chelotti, disse ontem que a PF vai pedir ajuda da Polícia Civil e Polícia Militar para dar prioridade às operações contra a pirataria na região. O objetivo, segundo ele, é que as polícias investiguem as lojas revendedoras de fitas e CDs e também os camelôs. Desta forma podemos quebrar toda cadeia de pirataria na região, disse.
O empresário Eder Carlos Furlan vai responder processo por crime de uso de documento falso, descaminho, sonegação fiscal e evasão de divisa. Além dos 2 milhões de fitas e CDs apreendidos, a PF apreendeu também 15 máquinas rebobinadoras de fitas e 10 máquinas de última geração usadas para duplicação de CDs.
A polícia acredita que o empresário produzia 200 CDs virgens para pirataria por dia. Os equipamentos foram importados de forma ilícita. A fita magnética era importada da Alemanha e o plástico usado na embalagem da fita era importado da China. A embalagem da fita virgem (caixinha) era importada da China e de Taiwan. Conforme Chelotti, o empresário maringaense importava parte das fitas já montada e outra parte ele importava apenas as matérias-primas para montar na empresa.
A operação Caça Pirata, conforme Chelotti, está sendo desenvolvida em Brasília, Goiás, São Paulo e Paraná. Os dois milhões de fitas e CDs apreendidos ontem foram encaminhados para a Receita Federal que poderá fazer leilão das mercadorias.


