Ministério vai reprimir trabalho de crianças nas Ceasas do PR
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quarta-feira, 05 de novembro de 1997
Cristine Pieske 
Curitiba
Albari RosaBatenteOs irmãos Cleber dos Santos, de 15 anos, e Adriano de Lima, de 11, são contratados para descarregar caminhõesA Delegacia Regional do Trabalho pretende multar nas próximas semanas as empresas e os produtores acusados de empregar menores de idade nas Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasa). A denúncia sobre a atuação dos adolescentes foi feita na semana passada pela Cooperativa dos Trabalhadores Autônomos em Carga e Descarga de Volumes de Curitiba (Cooperval), que vem tentando organizar o trabalho dos autônomos na Ceasa. Segundo a denúncia, a mão-de-obra dos menores estaria sendo utilizada nos serviços de carga e descarga dos caminhões no pátio da Central.
O Sindicato dos Usuários da Ceasa de Curitiba (Sindaruc), que representa os comerciantes, reconhece a existência do trabalho dos menores, mas afirma que é difícil combatê-lo. Os adolescentes geralmente são filhos dos produtores e vão até a Ceasa para ajudar os pais, diz o presidente do sindicato, Pedro João Soares. Segundo o presidente, o trabalho dos menores no Ceasa de Curitiba não é novidade e já houve várias tentativas de eliminá-lo. O volume diário de pessoas circulando na Central é tão grande que o controle torna-se quase impossível, diz.
Albari RosaO produtor Antônio Furman tem ajuda do sobrinho Marcos, de 13 anos
O produtor Antônio Furman, de Araucária, diz que costuma trazer o sobrinho Marcos, de 13 anos, para auxiliar na descarga do caminhão porque não tem dinheiro para contratar um empregado. Ele diz que o alto preço cobrado pelos carregadores oficiais do Ceasa, conhecidos como chapas, impedem a contratação do serviço. Se fosse contratar um chapa, eu só teria prejuízos e não poderia bancar a venda dos produtos, afirma. Trabalhar aqui não tem nenhuma diferença do serviço feito na roça, diz o sobrinho do produtor.
Os irmãos Cleber dos Santos, de 15 anos, e Adriano de Lima, de 11 anos, fazem parte do grupo de menores que são contratados diretamente pelos produtores para fazer a descarga dos caminhões. Eles trabalham há dez meses no Ceasa e recebem em média R$ 12 por dia do patrão, além de um lanche como café da manhã. O dinheiro que ganhamos aqui ajuda nossos pais a comprar comida, diz Cleber. Todos os dias, eles caminham durante uma hora até chegar na Central, onde trabalham das 5h30 às 10h. A única coisa ruim aqui é o frio e a chuva durante o inverno, afirma.
Atualmente, a Delegacia Regional do Trabalho contabiliza a existência de quatro mil trabalhadores na Ceasa, entre avulsos e registrados. A DRT não sabe informar o percentual representado pelos trabalhadores menores de idade. O responsável pela fiscalização na Delegacia, Luis Fernando Busanardo, afirma que, mesmo atuando informalmente como auxiliares dos pais, o trabalho dos adolescentes não é permitido por lei. As multas, que variam entre R$ 344,53 e R$ 1.722,70, começarão a ser aplicadas assim que a fiscalização da DRT for concluída.


