Curitiba

Albari RosaBatenteOs irmãos Cleber dos Santos, de 15 anos, e Adriano de Lima, de 11, são contratados para descarregar caminhõesA Delegacia Regional do Trabalho pretende multar nas próximas semanas as empresas e os produtores acusados de empregar menores de idade nas Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasa). A denúncia sobre a atuação dos adolescentes foi feita na semana passada pela Cooperativa dos Trabalhadores Autônomos em Carga e Descarga de Volumes de Curitiba (Cooperval), que vem tentando organizar o trabalho dos autônomos na Ceasa. Segundo a denúncia, a mão-de-obra dos menores estaria sendo utilizada nos serviços de carga e descarga dos caminhões no pátio da Central.
O Sindicato dos Usuários da Ceasa de Curitiba (Sindaruc), que representa os comerciantes, reconhece a existência do trabalho dos menores, mas afirma que é difícil combatê-lo. ‘‘Os adolescentes geralmente são filhos dos produtores e vão até a Ceasa para ajudar os pais’’, diz o presidente do sindicato, Pedro João Soares. Segundo o presidente, o trabalho dos menores no Ceasa de Curitiba ‘‘não é novidade’’ e já houve várias tentativas de eliminá-lo. ‘‘O volume diário de pessoas circulando na Central é tão grande que o controle torna-se quase impossível’’, diz.
Albari RosaO produtor Antônio Furman tem ajuda do sobrinho Marcos, de 13 anos
O produtor Antônio Furman, de Araucária, diz que costuma trazer o sobrinho Marcos, de 13 anos, para auxiliar na descarga do caminhão porque não tem dinheiro para contratar um empregado. Ele diz que o alto preço cobrado pelos carregadores oficiais do Ceasa, conhecidos como ‘chapas’, impedem a contratação do serviço. ‘‘Se fosse contratar um chapa, eu só teria prejuízos e não poderia bancar a venda dos produtos’’, afirma. ‘‘Trabalhar aqui não tem nenhuma diferença do serviço feito na roça’’, diz o sobrinho do produtor.
Os irmãos Cleber dos Santos, de 15 anos, e Adriano de Lima, de 11 anos, fazem parte do grupo de menores que são contratados diretamente pelos produtores para fazer a descarga dos caminhões. Eles trabalham há dez meses no Ceasa e recebem em média R$ 12 por dia do ‘patrão’, além de um lanche como café da manhã. ‘‘O dinheiro que ganhamos aqui ajuda nossos pais a comprar comida’’, diz Cleber. Todos os dias, eles caminham durante uma hora até chegar na Central, onde trabalham das 5h30 às 10h. ‘‘A única coisa ruim aqui é o frio e a chuva durante o inverno’’, afirma.
Atualmente, a Delegacia Regional do Trabalho contabiliza a existência de quatro mil trabalhadores na Ceasa, entre avulsos e registrados. A DRT não sabe informar o percentual representado pelos trabalhadores menores de idade. O responsável pela fiscalização na Delegacia, Luis Fernando Busanardo, afirma que, mesmo atuando informalmente como auxiliares dos pais, o trabalho dos adolescentes não é permitido por lei. As multas, que variam entre R$ 344,53 e R$ 1.722,70, começarão a ser aplicadas assim que a fiscalização da DRT for concluída.

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