Ministério quer recadastrar os brasileiros que vivem no exterior
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de agosto de 1998
Renata Giraldi Agência Folha 
O Ministério das Relações Exteriores quer recadastrar os brasileiros que vivem no exterior para evitar que falte assistência a eles em caso de calamidades e emergências. Dados de 96 indicam que 1,5 milhão de brasileiros moram fora do país, mas o número real é desconhecido.
Também não há um cálculo exato de quantos brasileiros estão vivendo irregularmente em outros países. Para o Itamaraty, essa falta de informação impede a ajuda que poderia ser prestada. Baseado em informações desses cadastros, recentemente foram retirados grupos de brasileiros de Guiné-Bissau, em decorrência da guerra civil na região e, no ano passado, da Albânia por causa de confrontos armados. Com o cadastro, o consulado terá condições de entrar em contato com a família do imigrante no Brasil.
Esse alerta está em centenas de cartilhas preparadas pelo Itamaraty dirigidas para aqueles que pretendem viajar ou morar no exterior (à disposição nos consulados e agências de viagem). Segundo o embaixador Lúcio Amorim, diretor-geral de Assuntos Consulares, Jurídicos e de Assistência a Brasileiros no Exterior do Itamaraty, o objetivo não é discriminar e sim ajudar. O que interessa para nós é tratar bem o cidadão brasileiro. Não perguntamos se ele está legal ou ilegal, mas sim no que podemos ajudar, diz.
Muitos brasileiros deixaram o país, principalmente nos anos 80, para fugir da crise econômica. Só que com a diferença de que a maioria deles planejou voltar para o Brasil. O brasileiro gosta mesmo é do Brasil. Ele está fora à procura de melhores oportunidades, quando atinge suas metas, volta, disse Amorim.
Os brasileiros que vivem no exterior, em geral, são alvo de elogios e comentários positivos porque evitam criar problemas que provoquem a interrupção de seus planos e um retorno forçado ao Brasil. Há cerca de mil brasileiros presos fora do Brasil - principalmente em decorrência de processos envolvendo porte ou tráfico de drogas.
A assistência prestada pelos consulados não inclui pagamento de despesas nem de serviços jurídicos. Os brasileiros processados são orientados a procurar um advogado. Segundo o Itamaraty, não é possível fazer mais porque há um orçamento limitado - para 98 foram destinados R$ 1,13 milhão. O dinheiro é utilizado para pagar refeições, estada provisória para pessoas sem condições financeiras e passagens de volta para o Brasil. Há situações em que o consulado faz o empréstimo para depois a família ressarcir.


