Ministério Público pede intervenção na UEL
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2001
Érika Pelegrino<br>De Londrina 
A promotoria de Defesa do Patrimônio Público encaminhou ofício ontem à tarde ao secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig, solicitando intervenção na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Essa foi a conclusão do procedimento administrativo instaurado pela promotoria em 13 de novembro último. O objetivo foi apurar as providências adotadas pela administração da UEL em função da greve iniciada em 17 de setembro deste ano.
O promotor ressalta que o pedido de intervenção não está relacionado ao movimento e ao direito de greve, mas à conduta da administração da UEL para minimizar os danos ao patrimônio público. Galatti afirma no ofício que as medidas adotadas pela UEL demonstram que ''os administradores que integram os órgãos superiores tornaram-se reféns do movimento de greve...''
A decisão da promotoria foi tomada com base em documentos requeridos e nos depoimentos do reitor Pedro Gordan e do superintendente do Hospital Universitário, Cláudio Camacho. Segundo Galatti, as informações coletadas demonstram que a UEL encontra-se em situação de ''descalabro administrativo''. Entre os fatos administrativos, o promotor cita, no ofício, a redução do atendimento do HU; a não convocação de servidores comissionados e ocupantes de funções gratificadas para trabalharem; triagem de pacientes feita pelo comando de greve na porta do HU; suspensão do vestibular mesmo diante da afirmação da Copese órgão encarregado do concurso de que havia condições técnicas para sua realização.
O promotor solicita à Secretaria de Ensino Superior que sejam tomadas as medidas legais cabíveis para restabelecer o controle administrativo na UEL. Segundo Galatti, se a solicitação não for atendida serão estudadas medidas judiciais. Gordan afirmou que não acredita que chegue a ocorrer uma intervenção na UEL. Ele aposta em uma solução interna e disse que hoje a situação da universidade tomará um novo rumo com a tomada de algumas medidas administrativas, após reunião, de manhã, com o conselho administrativo.
Gordan não quis adiantar que medidas seriam essas, mas afirmou que não acredita na possibilidade de reverter a suspensão do vestibular de verão. ''Tecnicamente, acredito que não há mais tempo para realizar o concurso.'' O reitor afirmou que o promotor Bruno Galatti tem razão em tudo o que relatou no ofício que encaminhou ao secretário Ramiro Wahrhaftig. ''Mas é preciso lembrar que a UEL não é administrada apenas por mim, mas por um colegiado'', disse. Gordan chegou a admitir que talvez devesse ter sido mais enérgico, mas tentou manter uma relação amistosa com o movimento grevista.
Diante da decisão da promotoria, o comando de greve local reuniu-se ontem à noite para analisar o teor do ofício e decidir que posição tomar. O presidente do Sindiprol, César Cagiano Santos, adiantou ser pouco provável o fim da greve. ''Essa é uma pressão jurídica que sabíamos que iríamos sofrer. Vamos consultar advogados'', disse. Até o fechamento desta edição, o comando de greve ainda estava reunido.


