Ministério Público entra com ação para pôr fim à greve na UEL
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de novembro de 2001
Emerson Dias<br>De Londrina 
A Procuradoria Regional da República de Londrina pretende ajuizar amanhã uma ação contra o governo do Estado do Paraná, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e também contra o Sindicato dos Servidores Públicos, Técnicos e Administrativos da UEL (Assuel-Sindicato), exigindo o fim da greve iniciada em 17 de setembro. Para o Ministério Público (MP), a paralisação dos estudos estaria ''ferindo um direito constituicional dos universitários'', prejudicando principalmente os que estão prestes a se formar.
Na petição inicial (ainda em fase de elaboração), o procurador-regional da República em Londrina, Mário Ferreira Leite, pede um acordo entre os envolvidos, a definição de um calendário escolar para os estudantes e que seja descartado ''o cancelamento do vestibular da instituição''. O texto determina a definição de novas datas (caso sejam necessárias) para o concurso, sem que haja confronto com os principais vestibulares do Estado. Leite disse ontem que pretende ajuizar a ação entre amanhã e sexta-feira. Ele estuda ainda as penalizações, que podem variar de multas diárias até o pagamento do término dos cursos (aos formandos da UEL) em universidades privadas. ''Estamos avaliando a possibilidade oferecer esta forma compensatória aos que estão no último ano. Eles têm o direito constitucional de concluir sua formação e podem fazer isso em outra instituição. O Estado ficaria com a obrigação de pagar as despesas dos formandos'', explicou o procurador, lembrando que a ação é destinada especificamente à UEL.
Na visão de Leite, universidade e sindicato devem ser citados na ação porque ''são partes envolvidas na greve e também em qualquer possível negociação''. Ofícios foram enviados no dia 25 de outubro à reitoria e à presidência da Assuel. O presidente do sindicato, Itamar André Rodrigues do Nascimento, disse que recebeu apenas um questionário sobre as reivindicações e também sobre uma possível data para o fim da greve. ''Estamos tranquilos porque também exercemos um direito constitucional, que é a greve'', comentou Nascimento.
O reitor interino da UEL, Pedro Gordan, também recebeu o ofício. ''Vamos esperar uma definição da Justiça sobre a ação e, se não couber contestação, a UEL cumprirá qualquer ordem judicial. Mas creio que, com um pouco de abertura do governo estadual, evitaremos tudo isso com um acordo dentro dos próximos dez dias'', previu o reitor.


