Cascavel - O Ministério Público apresentou à Justiça o relatório final da investigação em torno da venda irregular de nove cadáveres em Cascavel. O relatório aponta cinco pessoas como responsáveis pela comercialização ilícita. O MP pediu o afastamento de todos os envolvidos do serviço público e a interdição do estabelecimento de tanatopraxia - local de embalsamamento de cadáveres. Os promotores estudam pedir também a prisão preventiva dos acusados.
De acordo com informações contidas na denúncia da promotoria, os acusados Paulo Sérgio Wolff, diretor do campus da Unioeste em Cascavel; Pedro Soares, auxiliar de necropsia no IML; José Carlos Cintra, técnico de anatomia e necropsia do laboratório da Unioeste; Rikia Himauari, diretor do IML; e Rosemiro Benassi Figueiredo, funcionário público municipal lotado na Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Cascavel (Acesc), associaram-se em ‘‘quadrilha para prática de ilícitos’’. Na denúncia do MP, consta também que os denunciados ‘‘aproveitando-se de seus cargos públicos e em comunhão de propósitos, passaram a desviar cadáveres.’’.
Na primeira parte do relatório foi citado que em 1998 os denunciados ajustaram a venda de cinco cadáveres com a Unisa (Universidade de Santo Amaro), em São Paulo. Os demais corpos, segundo a denúncia, foram vendidos, em dezembro de 2000, para a Universidade Paranaense (Unipar), campus de Umuarama.
Os promotores acusam, ainda, José Carlos Cintra, Pedro Soares e Rosemiro Benassi, de se aproveitarem da ‘‘conivência’’ de suas funções para constituírem sociedade em torno da empresa de serviço de tanatopraxia. Um trecho da denúncia afirma que, ‘‘o serviço de tanatopraxia deve ser realizado por médico legalmente habilitado, o que não acontece na empresa’’. Esse é o principal motivo do pedido de interdição na empresa.
O promotor Marcelo Balzer diz que o afastamento dos acusados de suas funções deve acontecer por uma questão por moralidade. ‘‘A ação dos denunciados por si só, justifica o afastamento temporário bem como o pedido de prisão preventiva, uma vez que ao continuarem em seus cargos poderão embaraçar a colheita de novas evidências ou provas’’, declara.
Todos os suspeitos denunciados pelo Ministério Público foram procurados, mas nenhum aceitou dar qualquer depoimento sobre as acusações.

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