Ministério Público apura denúncia de racismo na PM
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quinta-feira, 11 de abril de 2002
Katia Michelle Equipe da Folha 
Curitiba - O Ministério Público Federal está investigando denúncia de racismo, feita pelo soldado Ivan Luiz Camargo dos Santos, atualmente lotado no 12º Batalhão da Polícia Militar, em Curitiba. Ele declara ter sido vítima de discriminação racial por três vezes dentro da corporação e que, por ter denunciado o fato, está sofrendo represálias. O processo está sendo analisado pela procuradora Marcela Peixoto e ainda não tem data para ser julgado.
O fato que deu origem ao processo aconteceu em outubro do ano passado, quando o soldado teria recebido uma ordem do Capitão Lúcio Fortes Moreira Filho de ficar meia hora a mais no trabalho. Ele me disse que eu teria que trabalhar mais porque sou preto, informou o soldado Camargo. Segundo ele, esta é a terceira vez que sofre discriminação desde que entrou na PM, há seis anos. Já me chamaram de macaco e também denunciei.
O soldado afirma que o fato de ele morar em Paranaguá e ser escalado para trabalhar numa viatura no centro da cidade é uma espécie de punição velada pelas denúncias de racismo. Além disso, ele já foi preso por três dias, em novembro do ano passado, por ter dado entrevistas à imprensa sobre o caso.
O comandante do Batalhão de Polícia de Guarda da PM, Ademar Moletta, disse que o racismo é uma conduta inadmissível dentro da corporação e que a prática deve ser denunciada para que a PM possa tomar medidas legais.


