Ministério Público analisa denúncias
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quinta-feira, 22 de agosto de 2002
Emerson Dias<br> Reportagem Local 
Arapongas - As denúncias envolvendo cinco advogados e dois funcionários de empresas do setor moveleiro de Arapongas (37 km a oeste de Londrina), suspeitos de desfavorecer ex-operários durante rescisões de contrato, já estão sendo avaliadas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) da 9 Região, sediado em Curitiba. A Procuradoria da República e a Polícia Federal de Londrina também seguem com investigações sobre denúncias envolvendo fiscais da Delegacia Regional do Trabalho (DRT), formalizadas por sindicalistas daquela cidade.
A sindicância preliminar nº 015/02 foi encaminhada ao MPT pelo promotor de Arapongas, Dênis Pestana. ''Recebi as denúncias e as encaminhei para o Ministério Público porque se referem a possíveis crimes contra a União. A sindicância está sendo apreciada pelo procurador Benedito Xavier da Silva'', disse Pestana, que pediu à reportagem para preservar os nomes dos envolvidos até o parecer do MPT. O promotor esmiuçou o esquema e destacou que os documentos apontam irregularidades entre agosto do ano passado e abril deste ano.
As denúncias chegaram ao Fórum de Arapongas há 70 dias. O esquema fraudulento consistia em demitir funcionário e não pagar a rescisão contratual (obrigatória por lei). Em seguida, a empresa indicaria um advogado para assumir o processo e que facilitaria um acordo que beneficiaria o empresário. ''Os funcionários acabavam contratando os advogados porque desconheciam a relação entre estes últimos e as empresas. Posso garantir que não houve perseguição por parte dos operários porque até o próprio juiz do trabalho percebeu os valores baixos apresentados em um acordo instantâneo'', explicou Elton Carvalho, presidente da OAB-Arapongas, destacando que os nomes já foram encaminhados ao Tribunal de Ética e Disciplina (Ted), sediado em Curitiba.
Cópias dos documentos estão nas mãos do procurador da República em Londrina, Mário Ferreira Leite, que investiga ainda outros casos envolvendo empresas moveleiras e fiscais do DRT, acusados de conivência e concussão (extorsão cometida por funcionários públicos).


