''O Ministério Público (MP) tem iniciativa de ação, ao contrário do Poder Judiciário que só age quando é 'provocado'. Por isso, nós, os promotores, temos consciência de que somos funcionários públicos e que devemos estar sempre de portas abertas para a comunidade. Precisamos dela, pois dependemos das notícias dos fatos para agir''.
A explicação do assessor da Procuradoria Geral de Justiça do Ministério Público do Paraná, Paulo César Busato, revela algo que ainda não é de conhecimento de boa parte do povo: qualquer pessoa pode - e deve - ser um ''agente'' dessa instituição. Segundo Busato, o promotor é um ''canalizador'' de todas as circunstâncias de interesse público. Por isso, precisa conhecer o que acontece de errado na sociedade para agir, cobrando medidas dos órgãos públicos competentes para cada caso ou providências judiciais.
O promotor Paulo Tavares, que atua em três promotorias: Defesa da Saúde Pública, Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais e Saúde do Trabalhador, concorda com a opinião de Busato. Para ele, a participação da sociedade é fundamental para o trabalho do MP.
Trabalho voluntário - Prova disso é que Tavares é o coordenador da Promotoria das Comunidades, um trabalho voluntário dos promotores que atuam em Londrina e que se revezam para ir até os bairros, fora do horário de expediente, acompanhados de estagiários, para ouvir o que a população tem a dizer. Ele relata que já foram mais de 100 mil atendimentos em 10 anos desse serviço.
No entanto, Tavares lamenta o fato de o MP não ser tão procurado como devia. Para ele, a comunidade tem de participar mais. ''Precisamos da participação do povo. Não somos inacessíveis. A própria corregedoria do MP, quando fiscaliza o trabalho dos promotores, verifica justamente se está acontecendo este atendimento ao público''.
Dentro de sua missão constitucional, que implica defender os interesses de grupos e segmentos da sociedade, o MP age, de forma prática, promovendo o inquérito civil e a ação pública; dá início às ações penais depois de reunir todas as provas cabíveis; expede notificações e requisita informações, documentos, investigações e instauração de inquérito policial.
''O promotor age exercendo o seu poder de requisição. Ele recebe denúncias, fiscaliza, investiga e pede providências, que podem ser simples atos administrativos por parte do poder público ou podem chegar a uma ação penal. Contudo, vale lembrar que em todas as investigações deflagradas pelo MP, os direitos e garantias individuais do investigado são respeitados'', sintetiza Busato, que lamenta apenas a falta de funcionários e promotores na atual realidade da instituição. ''Precisamos de mais gente, porém, não podemos extrapolar nosso orçamento. Nas menores cidades do estado tem promotor que faz tudo sozinho. Esse camarada é um verdadeiro herói'', finaliza.

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