Foz do Iguaçu - O Ministério Público do Paraguai vai demorar seis meses para concluir as investigações que vão apontar as causas do acidente na Ponte da Amizade, que matou dois operários e deixou outro ferido. Até ontem à tarde, a promotoria ainda não havia recebido o boletim de ocorrência do acidente. Paralela as investigações da Justiça paraguaia, a delegacia do Ministério do Trabalho, em Foz do Iguaçu, vai fazer um laudo técnico para saber se houve irregularidades por parte da empresa responsável pela obra.
Como o acidente aconteceu no lado paraguaio da ponte, as investigações serão feitas pela Justiça do Paraguai. O promotor Júlio César Iegros, que cuida do caso, disse que não há uma previsão para o início dos trabalhos. O acidente aconteceu anteontem de manhã, quando a estrutura de um dos andaimes cedeu e três homens, que trabalhavam na pintura da ponte, caíram de uma altura de aproximadamente 65 metros.
William Alves de Aquino, de 23 anos e Labiar Barros, de 31 anos, caíram sobre as pedras e morreram na hora. Dirceu Aparecido dos Santos, de 35 anos, caiu na água e conseguiu se salvar, depois de ser resgatado por pescadores. No velório, ontem pela manhã, o clima era de muita tristeza e revolta. As famílias das vítimas acusam a empresa responsável pela obra, a EPT - Engenharia e Pesquisa Tecnológica, de não oferecer segurança aos funcionários. A base do andaime, que era de compensado de madeira não teria resistido ao peso dos operários e de 100 litros de tinta e cedeu. Ainda não se sabe se os funcionários estavam com os cintos presos a cordas ou não.
O advogado da empresa, que tem sede em Porto Alegre (RS), Fabiano Chagas Soares, chegou ontem de manhã a Foz do Iguaçu. Ele informou que vai acompanhar a investigação e prestar assistência às famílias dos operários que morreram. O advogado disse que por enquanto não está autorizado a falar sobre o acidente.

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