Ministério pede detalhes sobre menores presos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de fevereiro de 1997
Da Sucursal 
O Ministério das Relações Exteriores enviou anteontem correspondência ao Bureau Internacional de Busca a Crianças Desaparecidas (Interbureau), pedindo informações sobre as crianças desaparecidas no Brasil que estariam detidas no Paraguai.
A suspeita sobre o paradeiro dessas crianças foi levantada pelo coordenador do Interbureau, detetive Walmir Battú, com base em depoimentos de pessoas que teriam visto pelo menos dois menores do Paraná em prisões paraguaias.
Battu escreveu ao Itamaraty no início do mês, propondo um trabalho integrado de busca aos menores no Paraguai. O detetive esperava obter um apoio que facilitasse seu acesso a prisões e informações no país vizinho. A correspondência enviada anteontem traz, na verdade, um relato do que o ministério tem feito para prestar assistência aos brasileiros presos no Paraguai.
O diretor-geral de assistência a brasileiros no exterior, embaixador Affonso de Alencastro Massot, também pediu a Battú 200 exemplares do cartaz impresso pelo Interbureau com as fotos das crianças brasileiras desaparecidas. O Itamaraty quer distribuí-los para toda a rede consular a diplomática brasileira no exterior.
Os cartazes, já disponíveis em vários idiomas, estão sendo impressos agora também em espanhol, para distribuição no Paraguai e demais países vizinhos. Walmir Battú pretende viajar para o Paraguai nos próximos dez dias, a fim de aprofundar as investigações. Ele afirma ter pistas seguras de que o menor Everton Ficagna, de 15 anos, está numa prisão em Ciudad del Este. Everton desapareceu em 1994, de Corbélia.
Outro menor, Ivonei Quadros, de dez anos, teria sido visto numa prisão em Hernandarias. No total, o Movimento Nacional dos Direitos Humanos calcula que cerca de cem menores brasileiros estejam detidos no Paraguai, cujo regime jurídico prevê a imputabilidade penal a partir dos 14 anos (quando podem ser presos).


