Conselheiros de saúde de Maringá denunciaram ontem que os auditores do Ministério da Saúde, que estavam na cidade para verificar as obras da maternidade, foram ‘‘escondidos’’ pelo secretário de Saúde, Ivan Murad. Quatro auditores, dois médicos e dois contadores, ficaram na cidade cerca de 24 horas, e segundo Murad não encontraram nenhuma irregularidade. No dia 14 de janeiro passado o conselho denunciou que a prefeitura estava utilizando R$ 1 milhão do Fundo Municipal de Saúde para a construção da maternidade. O dinheiro do fundo deve custear o atendimento a pecientes públicos.
Ontem o conselheiro Frederico Biscais Júnior, representante dos médicos no conselho, disse que sabia da presença dos auditores na cidade, mas não conseguiu localizar nenhum deles. ‘‘A denúncia partiu do conselho. Eles deveriam chegar na cidade e procurar o conselho e não a secretaria’’, disse Biscais. Ele acha ainda que não existe como fazer uma auditoria completa das denúncias em 24 horas. ‘‘Já reclamamos com o ministério em Brasília, e vamos acionar a Promotoria Pública’’, prometeu o médico.
Segundo Biscais, o conselho só ficou sabando da presença dos auditores na cidade porque eles visitaram hospitais acompanhados pelo secretário de Saúde. ‘‘Procuramos até nos hotéis e não conseguimos localizá-los’’, afirmou. O secretário Ivan Murad disse à Folha ontem que os auditores procuraram a secretaria porque deveriam analisar documentos em poder do município. ‘‘Nem nós acompanhamos os auditores’’, disse.
Murad explicou que foram visitados todos os hospitais da cidade, constatando a falta de leitos públicos, e a obra da maternidade, que está adiantada. ‘‘Os auditores não vieram visitar o conselho’’, disparou Murad. Ele garante que nenhuma irregularidade foi constatada, e que nem a denúncia de uso de dinheiro do fundo procede. ‘‘A contrapartida foi de dinheiro repassado pela União por procedimentos feitos pelo município’’, garantiu Murad. O secretário explicou que o ministério deve enviar o resultado da auditoria por escrito.
Para iniciar a obra, orçada em R$ 6,5 milhões, a prefeitura de Maringá entrou com R$ 1 milhão, que os conselheiros alegam ser do fundo. A Maternidade Pública de Maringá, que é a primeira fase de um hospital completo, terá 6 mil metros quadrados de área construída e 67 leitos. Se não houver atraso no repasse de recursos por parte do Ministério da Saúde, a obra será entregue até o final do ano.

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