Ministério diz que Arábica não pode exportar alimentos
A empresa Arábica Industrial e Exportação de Café, Madeiras e Aves - propriedade de David Rodrigues Alfredo, sócio de José Daher no tráfico de drogas - não estava habilitada a abater, acondicionar e exportar frangos ou outros produtos alimentícios de origem animal. Esta informação é do chefe regional do Ministério da Agricultura em Londrina, Juarez José de Santana.
Provavelmente, esta empresa é na verdade uma trade, firma que apenas intermedia o intercâmbio internacional de mercadorias. Ela compra dos produtores e indústrias habilitados para a exportação, ao menor preço possível, e vende no exterior pelo melhor preço que encontra. É assim que ela obtém o lucro. E isto é legal, explica o chefe do Ministério da Agricultura, que é responsável pela fiscalização dos frigoríficos habilitados à exportação através do Serviço de Inspeção Federal (SIF). Em Londrina, só há um frigorífico nesta condição.
De acordo com Juarez Santana, a habilitação para o frigorífico depende de um processo de inspeção rigoroso, notadamente se os produtos serão exportados para os Estados Unidos e países da Europa. As exigências são grandes. Antes da aprovação, passam pela empresa equipes de técnicos do Ministério, vindos de Curitiba e de Brasília, além de outras vindas dos países que importarão os produtos. As empresas trades podem adquirir estes produtos e revendê-los no exterior; é este o negócio delas.
Ele afirma que, portanto, nunca existiu em Londrina o Frigorífico Arábica, e que aquela empresa de exportação não necessitava ser fiscalizada pelo Ministério da Agricultura. Santana lembra que a questão do café está ligada ao Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio e a exportação da madeira é fiscalizada pelo Ibama.
Juarez Santana conta que, no caso dos frangos, deve ter acontecido a seguinte operação. A empresa comprava frangos resfriados de várias marcas habilitadas para a exportação. Este produto sai dos frigoríficos fiscalizado e com o lacre do SIF. Clandestinamente, ela abria o produto, acondicionava no seu interior a cocaína, fechava a embalagem com um lacre falso, e congelava o produto para a exportação. Porque, teoricamente, a intermediária não pode manipular o produto que comprou para revender no exterior.
Na alfândega dos portos e aeroportos, o produto alimentício a ser exportado pela trade tem a sua temperatura, documentação e lacre fiscalizados novamente. Mas quando as condições do produto e a documentação estão legais, e a falsificação do lacre foi bem feita, fica difícil a detectação do tráfico de drogas neste estágio. Parece que foi desta forma que a Arábica exportou, nos últimos anos, cocaína dentro de frangos congelados.Dorico da SilvaIntermediadoraFachada da empresa Arábica que poderia estar falsificando lacres para exportar cocaína em frangos congeladosOsmani Costa





