Ministério considera suicídio um problema de saúde pública
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sábado, 09 de setembro de 2006
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Hoje é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Data importante para lembrar que a taxa de suicídio aumentou no Brasil. Um estudo do Ministério da Saúde, realizado em 2004, aponta que de cada 100 mil pessoas 4 ou 5 se suicidam, enquanto que, em 1994, essa taxa era de 4. Entre os jovens, o índice cresceu 30%.
O levantamento traz números ainda mais preocupantes. A incidência de suicídio entre os homens é quatro vezes maior do que entre as mulheres e, extraindo por etnias, a taxa dentro da população indígena chega a inacreditáveis 50 a cada 100 mil. A região Sul também se destacou na pesquisa; os três Estados ficaram com as primeiras seis colocações no ranking nacional. O Paraná possui o sexto lugar em mortalidade por suicídio na população masculina, enquanto que na feminina ficou na quarta colocação. Já Curitiba ocupa o terceiro lugar, entre as cidades, com a taxa de 3,3 suicídios a cada 100 mil mulheres.
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde considera o suicídio um problema de saúde pública e criou uma proposta de prevenção nacional - em dezembro de 2005 -, a primeira da América Latina, levando-se em conta que na maioria dos casos existe psicopatologia diagnosticada e tratável. Já dentro da Estratégia Nacional de Prevenção do Suicídio - Amigos da Vida foi realizado um seminário, no mês de agosto, em Porto Alegre (RS), para discutir o tema e já começar a aprofundar o problema com as universidades do Sul, além de acertar um termo de cooperação com as instituições.
''Precisamos fazer estudos mais profundos para avaliar os determinantes. É um problema que atinge de Norte a Sul do País e não podemos trabalhar com um fenômeno complexo buscando uma causa única. Isso seria simplista demais'', disse o coordenador nacional do programa, o psiquiatra Carlos Felipe Almeida d'Oliveira. Segundo ele, na ocasião, também foram lançadas as diretrizes nacionais de prevenção. A primeira delas é sensibilizar a sociedade de que o suicídio é uma questão de saúde pública e pode ser prevenido.
''Buscamos um bom atendimento para as pessoas que tentam o suicídio e acolhê-las pelo sistema público de saúde, garantindo o acesso a diferentes tratamentos'', informa d'Oliveira, que elenca ainda qualificação das equipes de saúde e apoio a estudos e pesquisas que investiguem o suicídio e custos de programas eficazes. ''Com conhecimento temos mais esperança'', acredita.
O psiquiatra diz que é primordial melhorar o sistema de coleta de informações referentes a suicídios e tentativas. ''Isso vai tirar a invisibilidade quanto ao suicídio. Existe um conjunto de implicações sensoriais, éticas e religiosas, de culpa e vergonha, que colabora para que os dados não reflitam a realidade'', explica ele, acrescentando que o sistema também pode melhorar o intercâmbio de informações com outros sistemas públicos (Polícia e Instituto Médico Legal, por exemplo).
As estratégias ainda serão regulamentadas para nortear os Estados e municípios e o Ministério dará apoio técnico e financeiro, apesar de não existir orçamento específico para este fim. O programa é para ser executado a longo prazo, à medida que serão identificados parceiros na construção de uma rede nacional de prevenção, visando a cooperação técnica entre os municípios através de um site com informações e um fórum virtual.


