Ministério admite epidemia no Paraná
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segunda-feira, 08 de setembro de 1997
Curitiba 
Segundo o Ministério da Saúde, o Paraná também vive uma epidemia de sarampo. O ministério tem registrados 413 casos suspeitos e 68 confirmados da doença, enquanto a Secretaria Estadual da Saúde já contabiliza 91 casos confirmados da doença. Os números colocam o Paraná em quinto lugar no ranking da incidência no País. A situação é preocupante, mas não alarmante, esclareceu, por telefone, a enfermeira Elisabeth Davi dos Santos, do Centro Nacional de Epidemiologia (Cenep), de Brasília.
Elisabeth é a gerente do Grupo Técnico (GT) de sarampo do Cenep, órgão do Ministério da Saúde. Segundo ela, a situação no Paraná faz parte do quadro epidêmico nacional. A diferença para o surto é que ele se concentra em um só local, como um canteiro de obras, explica. Quando a doença se espalha por mais lugares, aí vira epidemia, completa.
A sanitarista Marília Bulhões, da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), também avalia que a situação do Paraná exige cuidados. O Estado fica entre dois focos da doença: Santa Catarina e São Paulo, disse ela, por telefone, do Rio de Janeiro. O sarampo se espalhou a partir do território catarinense para o paulista, que não conseguiu fazer o controle, afirmou.
Marília diz que as autoridades sanitárias paranaenses já foram orientadas a executar o chamado bloqueio vacinal. Notificado um caso de sarampo, a medida consiste em imunizar as pessoas que estão no círculo de possível contaminação (residência, colégio, empresa, por exemplo). O Paraná tem boas coberturas vacinais e medidas de contenção da doença, assegura Elisabeth.
A gerente do GT de sarampo do Cenep informa que a prioridade é intensificar a vacinação de crianças e adolescentes até 14 anos nos postos de saúde. Os adultos até 40 anos devem aguardar a notificação de um caso e o bloqueio vacinal para serem imunizados, adverte ela. A orientação se explica pelo fato de não haver doses suficientes para uma vacinação em massa.
No Paraná, como em boa parte do Brasil, a maior incidência do sarampo tem sido entre adultos de 20 a 29 anos e crianças menores de nove meses. As pessoas mais velhas contraem o vírus por não terem sido vacinadas logo cedo, o que chamamos de imunização induzida, nem ficado doente quando criança, que seria a imunização natural, explica Elisabeth.
Todo caso suspeito deve ser comunicado, alerta a enfermeira. A notificação agiliza o bloqueio vacinal e a coleta da amostra para laboratório, justifica. O Ministério da Saúde divulga amanhã o ranking semanal da incidência de sarampo no País. Mais três casos da doença no Paraná esperam confirmação. Já foram rejeitados 342 testes até agora.
Sintomas - O vírus do sarampo normalmente fica incubado durante dez dias antes de começar a se manifestar. A gripe, acompanhada de tosse e dor de cabeça, é o sintoma inicial. Nessa fase, quem contraiu a doença não a percebe, embora esteja espalhando a contaminação. A pessoa doente geralmente procura ajuda na etapa aguda, quando surgem manchas vermelhas pelo corpo. As complicações maiores ocorrem em crianças menores de cinco anos que tenham problemas de desnutrição.


