O Conselho da Comunidade doou ontem 150 cobertores comprados com dinheiro doado por voluntários para o Minipresídio de Cascavel. A doação foi feita em caráter de emergência, devido a chegada do inverno e o problema da superlotação do estabelecimento, que está agravando as condições de sanidade e sobrevivência dos presos.
Além da entrada diária de novos detentos, estão indevidamente no estabelecimento - o minipresídio é uma cadeia provisória - pessoas já sentenciadas. Segundo a Pastoral Carcerária, a maioria das famílias dos presos enfrenta situação de miséria e passa fome. ‘‘Lá dentro (do minipresídio) pelo menos os presos comem e têm algum tipo de assistência, mas a situação de suas famílias é assustadora’’, relata a coordenadora da pastoral, Júlia Panizzon.
A capacidade máxima do minipresídio é de 130 detentos, mas ontem estavam detidas 273 pessoas divididas em 35 celas. Colchões, cobertores e agasalhos estavam faltando. Segundo o carcereiro Brás Depubel, apenas 10% dos detentos deitam sobre ‘‘alguma coisa que possa ser chamada de colchão’’. Os problemas são tantos que o carcereiro, que assumiu a função recentemente e dorme no estabelecimento, teve que ceder seu colchão para os presos de uma cela.
Cerca de 40% dos detentos têm algum tipo de doença sexualmente transmissível. Cinco são suspeitos de terem contraído o vírus HIV e dois são doentes de Aids. A tentativa é de remover os doentes para Curitiba, onde há tratamento especializado em presídio. A visita de um médico da prefeitura só ocorre duas vezes por mês.
Quantos aos presos que estão indevidamente no minipresídio, a informação da direção do estabelecimento é de que cerca de 40 já foram sentenciados em outras comarcas e deveriam ficar detidos nas localidades de origem. Mas são enviados para Cascavel por causa das condições precárias de segurança das cadeias dessas comarcas.
Em relação às famílias dos detentos, integrantes da Pastoral Carcerária - que visitam semanalmente o minipresídio - relatam que a maioria está passando fome, porque as mulheres e os filhos têm grande dificuldade para arrumar emprego. ‘‘De uma ou outra forma podemos ajudar os presos, mas em relação às famílias nosso sentimento é de absoluta impotência’’, relata Júlia Panizzon. Ela pediu ao arcebispo dom Lúcio Baumgaertner que ajude a encontrar uma solução, mesmo que paliativa, com a mobilização da comunidade católica.
A Penitenciária Industrial de Cascavel, que deve ser entregue ainda este ano, pode resolver em parte as dificuldades dos detentos e de seus familiares. É que os presos poderão obter renda trabalhando para empresas que serão instaladas no local. A penitenciária terá capacidade para 240 condenados primários da própria região.
Além da possibilidade de renda, os presidiários poderão participar de práticas esportivas, cursos de alfabetização, complementação escolar e profissionalização. Segundo o secretário estadual de Obras, Augusto Canto Neto, o objetivo é de tornar a Penitenciária Industrial um local mais humano para o cumprimento de pena, para estimular, principalmente, a reintegração dos presos à sociedade.Edson MazzettoSocorroCobertores doados pelo Conselho da Comunidade foram comprados com dinheiro doado por voluntáriosPaulo Pegoraro

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