Paulo Wolfgang‘Olha o rango!’Tarcísio Della Lasta: ‘Foi um ótimo negócio, não dependemos de ninguém e ainda damos emprego’

- Então, tchau! Qualquer outra informação fala com seu João aí que eu tenho que andar, isso aqui é corrido, tenho que fazer umas entregas ali em cima.
E lá se foi o micro empresário Tarcísio Della Lasta, 45 anos, empurrando o seu carrinho - daqueles de carregar mala -, com uma caixa de isopor em cima, carregada de minimarmitex, ladeira acima em direção à rua Sergipe. É que, além do ponto fixo na praça Rocha Pombo, aquela que fica entre os dois museus, ao lado do Terminal, no centro da Cidade, Tarcísio abastece de comida alguns estabelecimentos comerciais da região há mais de 4 meses.
Mas foi há mais ou menos 2 meses que taxistas, barraqueiros, aposentados, ambulantes, desocupados, além de toda a ‘fauna’ que convive diariamente na praça Rocha Pombo, passaram a contar com uma novidade na área de alimentação. No banco do ‘‘seu João’’ agora, além das ‘‘miudezas’’ do Paraguai que o aposentado João Ferreira vende ali há 7 anos, uma grande caixa de isopor guarda oferta das mais atraentes: um mini-marmitex por R$ 1,00.
A comida correr atrás do faminto, em vez do faminto correr atrás da comida, foi idéia de Tarcisio e sua esposa para superar a dificuldade financeira pela qual passavam. Ela, cozinheira de restaurante; ele, trabalhando numa casa de assados - ambos não estavam satisfeitos com o salário que ganhavam e, partir para o negócio próprio no ramo que já conheciam foi a alternativa que o encontraram para sair da dureza.
‘‘A idéia foi dela pra parar de trabalhar de empregada. Então, ela me incentivou a abrir o negócio em casa e eu topei’’, conta Tarcísio, informando que o capital inicial do empreendimento foi de R$ 300,00, dinheiro empregado na compra de caixas de isopor, panelas - ‘‘fogão a gente já tinha’’ -, e carrinhos para transportar a comida. Ele diz também que seus pais e uma empregada estão envolvidos no negócio.
Na praça Rocha Pombo, Tarcísio conta que começou vendendo oito minimarmitex por dia na primeira semana, mas ‘‘gradativamente’’ foi aumentando e hoje vende em torno de 35 marmitex por dia, número que sobe para cerca de 100, considerando as outras entregas no comércio do centro da cidade, locais onde o preço sobe para R$ 1,20.
‘‘Foi um ótimo negócio ter começado isso porque não dependemos dos outros, ainda damos emprego e também não estamos passando as dificuldades que passávamos antes’’, diz Tarcísio. Ele até arrisca um conselho: ‘‘O comércio passa por dificuldades, mas eu incentivo as pessoas a montar seu próprio negócio porque, além de melhorar a situação financeira, gera emprego’’.
Mas, a quem se interessar, o micro-empresário adverte: ‘‘Só que tem que ter peito e correr atrás. Ficar esperando o freguês, ele não vem, não. É corrido, eu mesmo ando a pé 20 quilômetros por dia. São duas viagens da rua Santos, onde moro, até aqui na praça’’. E, olhando para uma cliente já mastigando, arremata: ‘‘Pro povo daqui foi muito bom. É um almoço por um preço mais barato que um lanche e a pessoa não precisa bater perna pra comer, a marmita vem aqui, a domicílio’’.

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