As áreas compradas pela Copel, totalizando mais de 6 mil alqueires, tiveram prévia aprovação da Comissão Regional dos Atingidos por Barragens do Iguaçu (Crabi) para que as famílias tenham garantia de terra de qualidade para a agricultura. E a escolha foi mesmo por terras de qualidade e localizadas às margens de rodovias pavimentadas.
São os casos das fazendas Piquiri, a maior de todas (2,7 mil alqueires), Refopaz (mil alqueires) e Barater (309), todas em Cascavel; Centenário (600), entre Cascavel e Campo Bonito, Varguinhas (583), Cascavel/Catanduvas, e áreas em Ibema (721), Catanduvas (340), Boa Esperança do Iguaçu (297), Nova Prata do Iguaçu (380) e Três Barras do Paraná (410 alqueires).
As famílias começarão a ocupar terras nobres no início do segundo semestre, em lotes individuais com no mínimo 7 alqueires e casas com 92 ou 95 metros quadrados, com água e energia, além de paiol. Nos núcleos haverá estrutura comunitária como escola, postos de saúde e de telefone e igreja. Em Cascavel, serão reassentadas 450 famílias. As primeiras 43 ficarão na Fazenda Centenário, a 40 quilômetros da cidade, à margem da BR-277. Os lotes já estão demarcados.
A Crabi e a Copel ainda discutem quem construirá as moradias e outras benfeitorias. A Copel quer repassar recursos de R$ 20 milhões à comissão para que ela contrate construtoras. Mas a Crabi quer empregar o sistema de mutirão com os próprios agricultores e uma empresa para fazer apenas a administração das obras.

Famílias ocuparão
lotes individuais
com no mínimo
sete alqueires


‘‘O fato é que, na Fazenda Centenário, em seis meses queremos estar em nossas casas’’, diz Pompilho Fagundes da Silva Neto, presidente da associação das famílias que irão para a fazenda. Durante a semana, Pompilho e o coordenador geral da Crabi, José Uliano Camilo, estiveram no local, junto com outros agricultores, verificando as efetivações em andamento pela Copel.
A Fazenda Centenário deve ser utilizada para agricultura, mas também para um projeto conjunto de produção de leite. As aptidões de cada área serão definidas por um estudo sobre a capacidade produtiva, tecnologia e força produtiva, para os grupos de famílias e mercado regional.
Segundo Uliano, a proposta é criar pequenas cooperativas de produção e uma central de processamento de matéria-prima. ‘‘Vamos industrializar tudo o que for possível’’, observa. Explorar o turismo rural e vender produtos coloniais para os visitantes é outra possibilidade.
Os municípios que logo começarão a receber as famílias terão o perfil de sua composição fundiária e da própria economia alterado. O caso de Cascavel é um exemplo. O número de propriedades rurais do município (3,1 mil) será acrescido em aproximadamente 15% e as famílias ocuparão cerca de 11% das terras agricultáveis.
Todas as famílias estarão reassentadas até seis meses antes do fechamento das comportas da usina, no final de 98. O engenheiro Antônio Fonseca dos Santos, da Coordenadoria de Engenharia Ambiental da Copel, observa que o projeto envolvendo Salto Caxias e seus aspectos humanos e ambientais ‘‘é o primeiro no País com tamanha abrangência e contemplando todos os requisitos da legislação ambiental’’.

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