É lei: de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, em todo cruzamento onde existe uma rotatória ou mini-rotatória, a preferencial é de quem está fazendo o contorno. Apesar de existir no papel e de ser reforçada nas vias por até quatro placas de sinalização iguais, em quatro esquinas consecutivas, a regra é bem pouco observada nas vias de Londrina.
A Folha percorreu alguns pontos e percebeu ser alarmante o volume de motoristas e motociclistas que, quando não respeitam placas e avisos de ''Pare'', simplesmente cruzam as mini-rotatórias como se elas não existissem, a ponto de trafegar em contramão ou de cruzar à frente de veículos que as contornam.
Um desses locais fica no Parque Oriente (Zona Leste) em uma espécie de contorno composto por cinco canteiros que liga quatro vias: Avenida Celso Garcia Cid, Estrada dos Pioneiros e as ruas Jambo e Carmela Dutra. Dona de um salão (que também é residência) em frente à área, a cabeleireira Nilza Fonseca Félix, 42 anos, mostrou os estilhaços da última batida na calçada e o portão que decidiu instalar para se proteger dos carros que chegam rente a ele. O problema ali, comentou, é que muitas vezes quem chega pela estrada não obedece as placas e sobe pela Celso Garcia, na contramão. ''A gente vê um acidente por semana, no mínimo, fora os sustos constantes pelas brecadas de quem vem no mesmo sentido e se topa. Com o portão, espero ao menos que, se baterem na minha casa, o carro não chegue até a parede.''
Também na Celso Garcia, agora no cruzamento com a Rua Catarina de Bora, a mini-rotatória implantada há cerca de quatro meses tem causado confusão quando o que vale é ceder a vez para o outro passar, ante as placas de Pare instaladas em cada uma das quatro esquinas. ''Até onde sei, a preferência é de quem está na rotatória, mas muita gente que vem pela avenida pensa que ela é a preferencial. Resultado: quase ninguém acaba parando'', contou o cirurgião dentista Vladimir Campanini, 33.
Já no Jardim Igapó (Zona Sul) existe a mini-rotatória entre as ruas Bélgica e Dinamarca, em frente à fábrica da Cativa. Apesar da intervenção entre as duas ruas, basta alguns minutos ali para se ver uma série de infrações cometidas por condutores que, na maioria das vezes, ou corta a frente de quem contorna a obra, ou passa em alta velocidade. ''O pessoal não respeita a vez de quem está na rotatória. Uma amiga de minha filha está internada depois de um acidente aqui'', comentou o motorista Nelson Duim, 56.
Segundo o gerente de Trânsito e Fiscalização da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Álvaro Grotti Junior, a implantação das mini-rotatórias, iniciada no segundo semestre de 2003, seguiu o exemplo de São Paulo, onde elas já existem em cerca de 800. Quanto aos cruzamentos visitados pela reportagem, informou que, por falta de recursos, somente o da Rua Bélgica deve sofrer alguma alteração, a ser encaminhada ao Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul). ''Lá será reavaliado, mas no da Catarina de Bora houve redução de acidentes.'' Sobre o outro ponto da Celso Garcia, garantiu que visitaria o local para ver o que poderia ser feito.

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