Mini-baterista dá show no Calçadão
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de maio de 2007
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
''Alcinha de silicone a R$ 1,00.'' ''Olha o caju.'' ''CD e DVD. Shrek e Piratas do Caribe. Tá no cinema, tá na minha mão.'' No meio do turbilhão de iscas para atrair a clientela no Calçadão de Londrina, uma tem chamado a atenção de quem passa. É um baterista argentino, com jeitão de hippie, que criou seu ''alter-ego'' em miniatura e tem feito sucesso com um repertório variado.
Pablo Sebastian Sousa, 29 anos, nasceu em Mendoza, cidade aos pés da Cordilheira dos Andes, e criancinha ainda ganhou uma baqueta e decidiu que iria ser baterista. Aprendeu, praticou, tocou em banda, até que um dia encasquetou que iria fazer uma cópia sua em miniatura. E não é que ele fez! O rapaz convenceu o pai - técnico em eletrônica - a adaptar os componentes eletrônicos (amplificadores, microfones, baterias).
Para o músico, sobrou a redução em escala da bateria para ser tocada pelo seu ''eu'' em miniatura, batizado de Sebastian Ban, que mede apenas 40 centímetros. O processo todo demorou seis meses. Depois foram mais três meses de adaptação ao instrumentozinho até os dois caírem na estrada, há dois anos. De lá para cá, Pablo e Sebastian Ban já percorreram grande parte da Argentina e do Paraná e pretendem seguir adiante, ''até quando o público continuar gostando''.
O problema é que desde o surgimento da criatura, o criador teve que dividir a fama ao passar a viver nas sombras, escondido atrás de panos pretos todo o tempo em que Sebastian Ban está em ação no palco minúsculo. Mas ele não liga. ''Sebastian es un complemento de mi persona, que me dá de comer'', brincou o músico. Ele não revelou quanto fatura, mas garantiu que consegue o suficiente para viver.
Em Londrina, a dupla chegou há duas semanas e já conquistou o reconhecimento, tanto de quem passa apressado quanto de quem aprecia manifestações artísticas de rua. O chaveiro Salvador Carvalho Penteado, 28 anos, que também se arrisca na bateria, não resistiu ao ''reggae'' apresentado pela dupla de argentinos e parou. ''Ele toca certinho, tem o tempo certo'', elogiou. O administrador Jorge Brodoski, 50, deixou a família sozinha nas compras e parou para apreciar o som dos Sebastian. ''Ele é muito criativo. Nunca tinha visto uma coisa deste jeito'', disse.
Já o lancheiro Luis Guilherme da Silva, 47, se interessou mais pelo ''alter ego'' de Sousa, porque também tem os bonecos em miniatura como ''hobby''. ''Achei interessante pela técnica de manipulação misturada com música. Muitos criticam, mas a arte de rua também é uma manifestação artística e cultural'', completou.


