Todo pescador que se preza deve saber qual é a melhor isca para o sucesso da sua pescaria. E, quando se fala em isca para pesca, as minhocas são as mais populares e presença obrigatória no material de quem frequenta rios, represas ou pesgue-pagues do Norte do Paraná em busca de um grande peixe ou momentos de distração.
No entanto, capturar as minhocas nem sempre é uma tarefa fácil. Por isso, os moradores da Vila Marízia - às margens da Avenida Brasília, próximo ao entroncamento com a Avenida Dez de Dezembro, Centro de Londrina - tornaram o bairro ponto tradicional de comercialização desse produto.
É o caso de Maria Aparecida Silva, 50 anos, que vende minhocas na beira da rodovia desde que se mudou para o local, há 30 anos. Segundo ela, as minhocas foram sumindo com o passar do tempo e já quase não são encontradas ao redor do córrego Bom Retiro, que corta o bairro e foi principal ponto de retirada das iscas durante muitos anos.
''Juntou muita gente tirando isca daqui pra vender. Hoje são várias famílias. Já não se acham minhocas aqui, temos de andar muito até outros bairros da cidade, às vezes vamos até Ibiporã. Nas últimas semanas não pude trabalhar porque tive reumatismo, depois de atravessar um rio com as águas muito frias'', conta a vendedora, que comercializa o pote de um litro por R$ 2,50.
Outra queixa é quanto ao sumiço dos pescadores nos dias de frio. ''Esta semana ainda não vendi nada. No verão vendemos bem, mas quando esfria é difícil'', reclama Maria Aparecida, que trabalha com o marido e as cinco filhas recolhendo material reciclável quando o comércio não está bom.
Sirlei de Almeida Prado, 42 anos, mudou-se para a Vila Marízia há três anos, com os dois filhos menores. Logo que chegou ao bairro, começou a vender minhocas, hoje sua principal fonte de renda, que é complementada com R$ 100 mensais, que recebe de programas sociais do governo federal.
Ao contrário dos outros vendedores, ela ainda tenta encontrar minhocas nas margens do Bom Retiro, mas do outro lado da Avenida Brasília, onde o córrego percorre aproximadamente 1 km antes de desaguar no Ribeirão Quati. ''É uma verdadeira aventura. O mato é alto e cheio de bichos, sempre encontramos cobras pelo caminho, mas parece que as minhocas sumiram. Muitas vezes não encontramos nenhuma, aí tenho de pagar R$ 6 para um vizinho me levar de carro até Ibiporã, lá é mais fácil encontrar'', conta Sirlei.
Em sua barraca, cada pote de meio litro é vendido por R$ 2. Segundo ela, no verão é possível vender até 20 potes em um fim de semana.

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