A FOLHA estreia hoje a coluna ''Em algum lugar do Paraná'', que será semanal. Neste espaço, vamos mostrar nossa gente, municípios, distritos e comunidades. É uma forma de você, leitor, conhecer cada vez mais o Estado.
A primeira parada é na cidade de Tamboara, lugar de 4,8 mil habitantes na região Noroeste, pertinho de Paranavaí. Por ali, a economia gira em torno dos canaviais, que dão emprego a boa parte dos moradores. Vários ônibus partem cedinho da cidade levando os trabalhadores volantes para a colheita da planta que vira etanol na usina de São Carlos do Ivaí.
Entre eles vai Sebastião Ferreira de Oliveira, 43 anos, pai de uma moça inteligente e de sorriso aberto, a Mariane Cheli de Oliveira, 19. Em 2008, quando estava no 3º ano do Ensino Médio, ela ficou entre os 15 estudantes que foram premiados na 1 Olimpíada Brasileira de Língua Portuguesa, da qual participaram seis milhões de estudantes de escolas públicas dos quatro cantos do País. Pela primeira vez andou de avião, indo a Brasília para receber a homenagem das mãos do presidente Lula.
O pai foi a inspiração para o artigo que Mariane inscreveu no concurso, no qual ela externava sua preocupação quanto ao provável fim das queimadas nas lavouras de cana-de-açúcar, fato que culminaria com a mecanização e com o desemprego para Sebastião e milhares de outros cortadores. Situação indefinida até hoje.
''É cortando cana que muitos trabalhadores sustentam suas famílias. Devido ao serviço árduo e estafante podemos chamá-los de cavaleiros da cana, pois levantam de madrugada, vestem suas armaduras e saem para a luta com determinação de guerreiros'', diz um trecho da redação premiada.
O empenho nos estudos ajudou Mariane a progredir. Uma boa nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) fez com que ela conquistasse uma bolsa de estudos integral em uma faculdade de Paranavaí. Atualmente, está no segundo ano de Enfermagem, curso que escolheu pela oportunidade que vai ter de ajudar outras pessoas depois de formada.
A redação premiada também rendeu à moça o emprego que ela desejava. ''Desde os 15 anos eu trabalhava como costureira em uma fábrica de jeans e sonhava com uma vaga na linha de produção da empresa, onde estou hoje. Quando ficaram sabendo da minha história me convidaram para trabalhar aqui'', comemora Mariane, agora secretária da Pódium, indústria de alimentos.
Feliz com as oportunidades, a estudante conta que não se importa de chegar em casa depois da meia-noite, tendo que acordar no dia seguinte às 6h. E continua dando boas lições com suas palavras. ''É preciso que os jovens das cidades pequenas valorizem seus professores e suas famílias. E também que acreditem ser capazes de conquistas e que confiem em Deus'', destaca a moça que não pensa em mudar de Tamboara depois de formada. Quer desenvolver na sua terra projetos para ajudar no desenvolvimento de crianças e adolescentes. ''Minhas raízes estão aqui.''
Sugestões para a coluna pelo e-mail reportagem-folhadelondrina.com.br ou (43) 3374-2184.

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