‘‘Minha vida melhorou
muito depois que estudei’’
José SuassunaOs problemas de aprendizagem e a deficiência de projetos em determinadas regiões foram discutidos ontem durante o 1º Ciclo de Oficinas de Acompanhamento e Avaliação do Pronera, em CuritibaA agricultora Eva Girardi, de 50 anos, assentada no Rio Grande do Sul há dez anos, disse que começou a estudar em setembro do ano passado e já sabe ler e escrever. ‘‘Acho que minha vida melhorou muito depois que eu comecei a estudar. Agora posso escrever o que preciso comprar no mercado, sem esquecer de nada’’, contou ela. Os dois filhos e dois netos que estudam no próprio acampamento orientam o estudo de Eva. ‘‘Não pude ensinar meus filhos, hoje eles e meus netos é que me ensinam e me ajudam na escola’’, disse.
Joaquim Custódio de Souza, de 46 anos, é assentado de uma fazenda de Ortigueira, no interior do Paraná. Ele e a mulher Zilda, de 41 anos, resolveram começar a estudar e não pretendem parar antes de concluir o ensino médio. ‘‘Acho que não dá para desanimar, agora que já aprendemos a ler e a escrever, queremos ter novas oportunidades de emprego’’, afirmou o lavrador. Os quatro filhos dele também estudam no acampamento e auxiliam na troca de experiências com os pais. ‘‘Todos estamos aprendendo e um incentiva o outro nos estudos’’, disse.
A trabalhadora rural Lavina dos Santos, de 75 anos, também resolveu começar a estudar. Assentada no Rio Grande do Sul, ela contou que nunca teve a oportunidade de frequentar uma escola. ‘‘Esta é a primeira vez que tenho uma professora na vida, está sendo uma experiência muito boa’’, afirmou ela. Com um pouco de dificuldade de aprender, Lavina já sabe ler e escrever e não quer parar de ir para as aulas. ‘‘Se Deus quiser eu vou aprender tudo o que me interessa’’, disse Lavina. (LP)

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