‘Minha vida acabou’, diz Kohatsu
Entre os manifestantes que participavam da passeata ontem de manhã no Calçadão estava o ex-diretor financeiro da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) de Londrina, Nelson Kohatsu. Ele é uma das pessoas investigadas pelo Ministério Público, que apura denúncias de irregularidades em processos licitatórios realizados pela AMA e Companhia Municipal de Urbanização (Comurb).
Kohatsu pediu exoneração do cargo de diretor logo depois que a promotoria começou a investigar denúncias contra o órgão, em fevereiro deste ano. Ontem foi a primeira vez que ele falou aos veículos de comunicação sobre o assunto. ‘‘Se eu me calei até agora foi pensando na minha segurança e na da minha família. Estou aqui pela minha formação e por achar que a justiça e a moral têm que prevalecer’’, afirmou.
O ex-diretor da AMA, que é engenheiro civil, disse que chegou a receber várias ameaças por telefone, que não conseguiu identificar de onde e nem de quem vinham. ‘‘Se eu não tivesse fé e apoio de amigos não estaria mais aqui. Perdi todo o meu equilíbrio emocional. Minha vida acabou’’, afirmou, lembrando que não tem podido nem trabalhar.
Nelson Kohatsu explicou que chegou a requisitar segurança pessoal, logo que saiu da autarquia, mas acabou dispensando por medo de acharem que tratava-se de ostentação. Ele afirmou, na conversa com os jornalistas, que está assumindo a responsabilidade do que fez ‘‘involuntariamente’’. ‘‘Nós éramos sempre os últimos a saber de tudo. As ordens eram impostas e não podíamos fazer nada.’’
Segundo Kohatsu, quem pode dizer quem eram os responsáveis pelos contratos fraudulentos é Eduardo Alonso, ex-diretor administrativo-financeiro da Comurb. ‘‘A nossa forma de atuação vinha através dele’’, disse. Kohatsu observou ainda que em várias ocasiões questionou os motivos das irregularidades, mas a única explicação que chegou a ouvir é que ‘‘era para pagar dívidas de campanha’’.
O engenheiro disse não saber os valores envolvidos, ‘‘porque tudo era feito de forma muito rápida’’, e nem precisar o grau de participação de cada um nas irregularidades. Mesmo em relação a Alonso, ele acha que o ex-diretor da Comurb provavelmente recebia ordens ‘‘de alguém acima dele’’.
Alonso deveria ser ouvido ontem na Polícia Federal e na Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Vereadores, mas não compareceu. (S.L.)

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