Warren NabucoSem soluçãoCláudio Luiz Sanelli, detento do 4º DP: hérnia em estado avançadoCelas superlotadas, pouca ventilação e iluminação, muita sujeira e condições subumanas de higiene. Assim os peritos da Criminalística encontraram o 5º DP ontem à tarde. Lá, não há um preso que não reclame da situação e reivindique melhoras.
‘‘Estou aqui há nove meses, mas já deveria estar no semi-aberto. E até agora nada’’, dizia Claudinei Silva Lemos, que divide a cela com outras oito pessoas. Ele conta que há tempos precisa de atendimento médico, para tratar ferimentos causados por uma queda de motocicleta, mas nunca foi atendido.
A falta de médicos também está revoltando Elouge Cícero Garcia, 28 anos, que responde a três processos. Na última vez que foi preso, levou quatro tiros, três deles na perna esquerda, recebeu vários pontos e agora mal pode andar. ‘‘Queria ir para um hospital porque já estou perdendo a perna. Faz cinco meses que estou nessa situação e não vem um só médico aqui para me examinar’’, afirma. ‘‘E a Civil sabe que eu sou inocente.’’
Valdinei de Paula, 21 anos, aponta que várias vezes os presos apanham da tropa de choque, quando há revista. Para ele, fugir do distrito é fácil, só depende do momento certo. ‘‘Se quiser mesmo, dá, mas eu já estou para sair e não pretendo nada disso.’’
Um outro preso, de 44 anos e que não quis se identificar, também não dispensou críticas à situação do distrito. ‘‘Em dia de visita, quem tem família come. Quem não tem, não come. E quando são dois dias de visita, fica sem comer dois dias.’’ O mesmo preso diz que normalmente as famílias de presos são humilhadas na porta do DP.
No 4ºDistrito Policial (zona leste), o preso Cláudio Luiz Sanelli, 37 anos, sofre há dois meses com uma hérnia em estado avançado. Ele diz que já foi levado várias vezes ao Hospital Universitário mas até agora não foi encontrada uma solução para o problema. ‘‘Piorou muito por causa da situação em que estou, preso, e pode estourar a qualquer hora. Sangra direto e a dor é muito forte.’’ Ele conta que ontem esteve novamente no HU, recebeu uma injeção e a dor melhorou um pouco. ‘‘Mas amanhã a dor volta.’’

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