Minha carreira terminou do dia para a noite
O jogador Vagner Nunes não pode mais voltar aos gramados como gostaria, mas encontrou uma nova profissão ao aceitar que não atuaria mais em campo. Hoje, aos 38 anos, ele é empresário no ramo de imóveis, construção e segurança e está concluindo uma especialização em Administração de Empresas.
''Há oito anos não jogo bola. Minha carreira terminou do dia para a noite e foi um dos episódios mais tristes que enfrentei. Eu fiquei muito perdido porque eu depositava todos os meus sonhos no futebol e de uma hora para outra, tudo se perdeu'', lamenta.
A história de Vagner é semelhante a muitas outras contadas por famosos jogadores. Crescido em uma família humilde, o garoto nascido em Bauru (SP) veio para Londrina aos três anos, acompanhado pela família. ''Meu avô era zelador no Estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD) e eu morava com ele, em apenas dois cômodos. Eu engraxava as chuteiras dos jogadores e lavava os carros deles em troca de algum dinheirinho. Foi ali que tive o contato com a bola de futebol'', relembra.
Aos 13 anos, Vagner foi jogar no time de Arapongas (Norte) e em seguida em Jundiaí (SP). Três anos depois, começou a se profissionalizar e, após um ano, foi contratado pelo União São João Esporte Clube, na cidade de Araras (SP). Em 1995, estava começando uma nova fase para o jogador. Ele foi contratado pelo Flamengo, depois pelo Santos e em seguida, para o Roma da Itália, onde morou durante um ano e realizou um dos seus sonhos. ''Comprei uma casa para minha mãe'', diz.
Já em 98, Vagner voltou para o Brasil e atuou no Vasco e no São Paulo. Mais uma vez, o talento com a bola o levou para longe. No ano 2000, ele foi para a Espanha jogar no Celta, onde permaneceu até 2004. ''Nesse ano, eu me machuquei. Tive uma artrose no joelho esquerdo e passei por nove cirurgias. Minha carreira encerrou aos 30 anos, quando eu estava no auge. Eu fiquei muito mal com tudo o que estava acontecendo'', comenta ele, ao explicar que no Brasil, ser jogador aos 32 anos é ser considerado velho. Ao contrário da Europa, onde os atletas continuam se sobressaindo aos 40, 42 anos.
Longe dos campos, Vagner não havia planejado o que fazer, mas tinha o objetivo de estudar. ''Não havia planejado nada pois eu estava indo bem. Até me reerguer, trabalhei por um tempo como servente de pedreiro, ajudando familiares. Todo mundo me reconhecia, mas me olhavam com certo preconceito por me verem naquela situação'', diz.
Em pouco tempo Vagner começou a estudar Administração a distância e passou a investir nos próprios negócios. Hoje, ele se diz realizado com a nova fase, mas admite que ''seu eu pudesse, estaria jogando'', confessa, enquanto admira os tempos de glória no futebol, estampados na parede de sua chácara. (M.O.)





