O argumento dos mineradores de areia pontagrossenses para defender a permanência da atividade, ainda que em detrimento do meio ambiente, é previsível: sem areia, a construção civil seria prejudicada e, conseqüentemente, o desenvolvimento social e econômico.
  ‘‘O consumidor final vai acabar pagando por isso (se a mineração do Rio Tibagi for extinta). Não é algo que possa ser feito de uma hora para outra’’, argumenta o gerente financeiro da mineradora Porto Brasil, Sandro Ferreira. De acordo com ele, os 35 municípios que hoje dependem da areia extraída em Ponta Grossa, incluindo parte de Curitiba, pagariam seis vezes mais pelo material. ‘‘O local mais próximo seria Guaíra, mas o custo seria elevado de R$ 22,00 o metro cúbico para R$ 130,00’’, compara.
  Além de abranger 100% das áreas exploradas pelas mineradoras em Ponta Grossa, a criação dos parques federais tomaria 95% das áreas que hoje estão sob processo de requisição de direito da lavra, segundo a Associação dos Mineradores de Areia do Rio Tibagi (Amat).
  Para o professor da UEPG Mário Sérgio de Melo, as empresas trabalham sob a lógica do lucro fácil e rápido, quando deveriam pensar em formas de extração menos agressivas ao meio ambiente. ‘‘Sou geólogo e sei que a mineração é um mau necessário. Mas existem alternativas mais adequadas, como o desmonte de rochas com jatos d‘água’’, sugere. ‘‘Infelizmente, apesar do ritmo desenfreado da mineração no Tibagi, ainda tem muita planície aluvial para ser destruída. E a tentação para as empresas é tirar areia de onde é mais fácil e mais barato’’, lamenta. (V.N.)

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