Mineradoras operam como há 100 anos
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de novembro de 1998
Dimitri do Valle 
O setor de mineração está à beira da marginalidade, regra que também vale para o Paraná. Empresas clandestinas, extração de recursos naturais também irregulares, funcionários mal remunerados e sem segurança. Nos 20 anos de fundação lembrados ontem em Curitiba, a Associação dos Geólogos do Paraná (Agepar) defendeu que somente a criação de uma Agência Nacional de Mineração poderia tirar o setor do atraso tecnológico e das injustiças trabalhistas.
A mineração ainda é muito amadora. Tem muito mais maus exemplos do que bons exemplos, afirma o dirigente da Agepar, Gil Polidoro. No Paraná são cerca de 2 mil empresas que atuam na extração de argila, calcáreo e areia. Segundo a Mineropar, órgão do governo do Estado destinado a dar assistência técnica para o setor, a falta de regularização ainda é grande. De cada cinco mineradoras, apenas uma está com a documentação em dia, revela o presidente da Mineropar, Omar Akel.
A chefe do departamento de controle de recursos naturais do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Sandra Mara Pereira, aposta na aplicação de 35 normas baixadas em junho deste ano pelo governo do Estado para disciplinar a relação entre os recursos ambientais e a exploração feita pelas mineradoras. O IAP terá mais poderes para trabalhar. Não é interesse do IAP fechar as mineradoras e sim disciplinar a atividade para que haja um efetivo controle ambiental, declara Sandra.
As irregularidades mais comuns praticadas pelas mineradoras, segundo o IAP, são os desmatamentos não autorizados e as extrações sem licenciamento. O instituto tem apenas 12 fiscais para monitorar as atividades de aproximadamente 800 empresas localizadas na grande Curitiba.
A maior parte das mineradoras do Estado está localizada na Região Metropolitana de Curitiba. Os problemas mais graves se concentram nos municípios de Almirante Tamandaré e Rio Branco do Sul. As empresas trabalham como se estivessem explorando minérios há 100 anos, afirma Gil Polidoro, da Agepar. Segundo ele, é preciso que os empresários do setor comecem a se preocupar em modernizar seus mecanismos de produção. Isso passa por uma questão de cultura, conscientização, diz.
Seguindo esta tendência, a Mineropar planeja o lançamento de uma cartilha de orientação do consumidor para o final deste ano. A missão do manual é dar dicas de como identificar os bons produtos feitos à base de cerâmica e estreitar as relações do consumidor com os empresários. São canais de comunicação para diminuir o distanciamento do setor em relação a evolução tecnológica, comenta Omar Akel.


