Da Sucursal

Kraw PenasLição de vidaFloriano Furtado Leite, portador do vírus HIV há doze anos: curso de cinco dias ensina que, hoje, medicamentos já permitem vida normal aos soropositivosSer portador do vírus HIV não significa mais estar condenado. Os medicamentos à disposição no comércio permitem controlar o desenvolvimento da Aids possibilitando melhor qualidade de vida. A maneira de abordar as formas de transmissão da Aids também está tomando novas formas, com enfoques mais psicológicos e sociais. A informação é do mineiro Floriano Furtado Leite, de 45 anos, que está em Curitiba ministrando dois cursos a respeito da doença para profissionais da área da Saúde e da Educação.
Floriano é portador do vírus HIV há doze anos e desde 1988 se dedica a atividades de prevenção da Aids. Segundo ele, o perfil histórico da doença está se modificando. O tratamento está sendo mais para o lado humanístico do que científico. ‘‘Nos anos 80 as pessoas já doentes começaram a ser identificadas. O aparecimento do AZT em 1990 permitiu o início de um controle e com o concoquetel de medicamentos está finalmente oferecendo uma perspectiva de vida normal aos portadores.’’
Os cursos oferecidos por Floriano, com duração de cinco dias, têm como público-alvo os profissionais da Secretaria Municipal da Saúde e voluntários das organizações não-governamentais, que trabalham com Aids no Paraná. Os temas abordados durante os cursos são sobre a vida e a morte, preconceito e discriminação e sexualidade, HIV e Aids.
Na nova forma de apresentar a Aids, Floriano tenta promover a reflexão nas questões de vida e morte. ‘‘Tanto as drogas como o sexo estão no limiar da morte e do prazer. A sensação de euforia proporcionada pelas drogas desafia a vida e o prazer do orgasmo traz o mesmo sentimento’’, diz. Segundo ele a palavra orgasmo vem do grego e quer dizer morte pequena.
O auto-preconceito e os preconceitos social e velado também são temas que devem levar à conscientização e à reflexão sobre religião, moral e cultura. No que diz respeito às terapias antivirais e vacinas anti-HIV, Floriano lembra que existem nove medicamentos com possibilidades de dupla ou tripla combinação.
‘‘Os profissionais da Saúde terão que estar a par das centenas de pesquisas que estão sendo desenvolvidas em todo o mundo. Para cada caso há possibilidades diferentes de combinações, depende de cada organismo e dos resultados dos exames específicos’’, enfatiza.

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