Parece até praga, mas tudo que engorda é bem mais saboroso do que os tais produtos ''lights'' e ''diets''. Assim é com o milk-shake que virou mania em Londrina e cidades da região e é consumido aos montes nas ruas, basicamente pela combinação de dois atrativos: as temperaturas altas do verão e os baixos preços praticados. Saboroso? Muito. Calórico? Demais. Portanto, o ideal é consumir o leite batido com sorvete cremoso de forma moderada se não quiser ter que, literalmente, correr atrás do prejuízo na balança.
A comerciante Caroline Stein trocou a lanchonete por um quiosque especializado em milk-shake na rua Souza Naves (área central) e está com a ''cuca fresca'', tamanha é a procura pela delícia gelada. Ela oferece uma variedade de 22 sabores diferentes e chega a vender mais de 350 copinhos por dia. O negócio até rendeu um emprego para o atendente Rodrigo Santos de Paula, que estava desempregado e encontrou na maquininha de milk-shake a vaga que precisava para começar 2006 com o pé direito. Como não é bobo nem nada, ele já pensa em trocar Londrina pela praia caso Caroline concretize o projeto de abrir um quiosque no litoral.
Pioneira no segmento de milk-shake em Londrina, Juliana Pickina revela que a idéia foi importada de Bandeirantes, há mais de um ano, por um sócio. Hoje, ela tem duas lojas próprias e mais duas franquias uma na avenida Bandeirantes e outra nos Cinco Conjuntos (Zona Sul) e comemora que o negócio só tende a crescer porque, embora venda mais de dois mil copos por dia apenas no quiosque da Rua Sergipe (centro), ''tem gente que ainda nunca provou''. E ela não teme a concorrência. ''Provei de todos os outros quiosques e eles não têm a mesma qualidade que o meu'', garante, confiante, a empreendedora.
Nos arredores do Bosque Municipal, a ''Invejada'' vendedora Marcela Cândido de Moraes diz que o milk-shake está vendendo oito vezes mais do que as tradicionais ''casquinhas''. ''Toda hora é uma muvuca de gente e até perdi a noção de quanto a gente vende por dia'', desconversa. Trabalhando com o produto há cerca de um ano, ela confirma que foi neste verão que ''o milk-shake virou febre''.
Febre esta que contaminou de vez os consumidores. O vendedor de material elétrico Donizete Gouveia Cardoso não resiste a tentação. ''É uma ótima opção de sobremesa e o preço também é razoável'', qualifica. As irmãs estudantes Daiene Paludeto, 18 anos, e Roberta Paludeto, 24 anos, confessam que são freguesas assíduas e até abandonaram o sorvete tradicional. ''Acho que fizeram alguma reza porque sempre que passamos por um quiosque paramos para tomar'', sorriem. ''É muito bom neste verão'', continua Daiene.
E mesmo sabendo que o milk-shake é bem mais calórico que a casquinha, tem consumidor que não se arrepende. ''Eu sei disso mas ainda não estou preocupada'', garante a balconista Miriam Estrada. A aposentada Marileuza Martins é ainda mais enfática: ''eu posso tomar porque já passei da idade de me preocupar com a balança. É melhor comer o que se gosta do que passar vontade'', argumenta. Alguém discorda?

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