Militares no aparato de quatro mil homens
Ortigueira - "Fogo nas zona rurais: êxodo em massa de gente e animais", uma das manchetes da FOLHA em 24 de agosto. Constata-se em Londrina, Cianorte, Maringá, Umuarama, Apucarana, Ivaiporã e Ortigueira os maiores danos. Em Astorga, onde famílias em procissões rezam pedindo chuva, mil alqueires dos senhores Júlio e Otávio Genta e a hidrelétrica do município estão em cinzas.
No Noroeste, queima parcialmente o reflorestamento de 10 mil hectares da Companhia Melhoramentos, em Jussara, e "cafezais são erradicados a frio e fogo", segundo a FOLHA, mencionando os efeitos da geada drástica em 6 de agosto.
Avançando pela margem esquerda do Tibagi, o incêndio se dissemina na Fazenda Monte Alegre, onde estão reservas nativas e reflorestamentos da Indústria Klabin de papel e celulose. Segundo a historiadora Hellê Vellozo Fernandes ("Monte Alegre, cidade-papel"), em 4 de setembro o fogo se aproximou de Harmonia e parte da população se refugiou na fábrica. Havia noticias de mortos na zona rural e chegavam ao hospital os primeiros queimados, procedentes de Ortigueira.
Para combater o fogo e resgatar vítimas, os contingentes da Marinha, Exército e da FAB (Serviço de Busca e Salvamento), aliados aos da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e equipes da indústria, totalizam quatro mil homens.
A fumaça congestiona os olhos e o serviço de saúde fornece colírio em litros e conta-gotas às centenas; a vaselina para "os rostos queimados" é distribuída em recipientes de um quilo. Já não é possível a retirada e os que tentam sair de carro na direção de Piraí do Sul não passam de Ventania. Chove ao anoitecer de 18 de setembro. "Monte Alegre bastou-se." Mas, nos arredores, "morreram famílias inteiras por falta de recursos e atendimento".
Instalou-se o "QG" de socorro aos flagelados em Tibagi e o ministro da Saúde, Wilson Fadul, assumiu a coordenação da assistência sanitária no Estado.
Ajuda do exterior
Em decorrência da geada e dos incêndios, a arrecadação do Estado caiu de 200 milhões de cruzeiros diariamente para 40 milhões, informou o governador, Ney Braga, em 4 de setembro. "Se houver demora de financiamentos, será a destruição econômica do Paraná." O Estado começara a receber, nos últimos dias de agosto, donativos (medicamentos, roupas, alimentos etc.) da Itália, Estados Unidos, Japão, China e Suíça. Em 9 de setembro, o Congresso Nacional autorizou a liberação, ao Paraná, de 500 milhões de cruzeiros do total de um bilhão solicitado pelo presidente da República, João Goulart. (W.S.)





