Militares e estudantes protestam em Curitiba
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quarta-feira, 07 de setembro de 2005
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Um imenso desfile militar foi realizado na Avenida Cândido de Abreu, no Centro Cívico, com a simpatia de milhares de paranaenses que foram assistir a parada de 7 de setembro. Entre os participantes, com bandeiras e cataventos nas mãos, estavam os mais diversos manifestantes. Mulheres de militares do Exército levaram faixas e num protesto silencioso exigiram o reajuste de 23% nos salários dos oficiais das Forças Armadas Brasileiras. Nas faixas e cartazes, dizeres como: ''Lula passará como Collor e FHC. Mas as forças armadas não passarão'' e ''Militares da Força Aérea que controlam os vôos do País reivindicam melhores salários''.
Em frente ao local onde estavam as autoridades, manifestantes criticavam o governo Roberto Requião (PMDB). Sem nada falar, eles empunhavam os cartazes que diziam: ''Desordem e Regresso'' e ''Requião, onde posso trafegar sem pagar pedágio?''. Mas nem todas as manifestações e os protestos foram silenciosos. Cerca de 700 pessoas do Grito dos Excluídos pediram para desfilar no final da programação oficial e com gritos de guerras e faixas, os manifestantes pediam mudanças sociais para a inclusão da população carente brasileira.
''Esse é um ato nacional e acontece simultaneamente em dois mil municípios. Estamos fazendo um alerta social com o lema 'A mudança em nossas mãos'. Sempre fizemos essa manifestação em locais onde viviam os excluídos, em bolsões de pobreza e miséria. Mas resolvemos trazer os excluídos para as ruas e mostrá-los à sociedade brasileira'', explicou Cesar Sanson, coordenador do Grito dos Excluídos em Curitiba.
Movimentos sociais e trabalhadores rurais sem terra participaram do protesto. Mulheres e crianças pintaram os rostos de verde e amarelo em homenagem aos estudantes que conseguiram o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello. A catadora de papel Irene Cavalcante, de 36 anos, não se contentou apenas em pintar o rosto. O traje, feito com o desenho da bandeira nacional, mostrava o descontentamento dela com o rumo político do Brasil. ''Estamos aqui para lutar por mudanças. Somos excluídos socialmente apenas porque somos pobres e catamos papel. Não temos dignidade. Com o protesto, queremos mais conscientização popular sobre o nosso papel e posturas diferentes por parte dos governantes. Todos eles'', ponderou ela.


