Militares colecionam casos de truculência
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segunda-feira, 17 de março de 1997
Da Redação 
Truculências, agressões gratuitas e abuso de poder por parte de integrantes da Polícia Militar não são novidades em Londrina. No mês passado, o auxiliar de manutenção Junior Alves dos Santos foi perseguido por quatro soldados pelas ruas do jardim Shangri-lá (zona oeste), detido e agredido covardemente. Ele teve uma clávicula quebrada e ferimentos generalizados pelo corpo, além de ter sido ameaçado de morte pelos policiais armados. Os PMs - dois deles identificados como Cestal e Ramos - alegaram que confundiram Junior dos Santos com um homem que havia estuprado uma moça e assaltado numa residência naquele bairro.
Em março de 1996, James Pereira Araújo, que tentava furtar um veículo em frente ao mercado municipal do Shangri-lá, foi morto com um tiro na cabeça pelo PM Manoel Prates, que trabalhava como segurança naquele local nas horas vagas. Segundo o estudante Ricardo Vilche, que presenciou a cena do tiro, o que houve foi uma execução sumária. Segundo a testemunha, o assaltante estaria ajoelhado no chão e com as mãos para cima, quando o PM atirou à queima-roupa.
Em novembro de 96, o empresário Roberto Rodrigues Neves foi agredido a coronhadas, socos e tapas e ameaçado de morte pelo aspirante Alexandre Dupas Pereira, em um posto de combustíveis no jardim Quebec (zona oeste). O PM teria confundido Roberto Neves com um ladrão de automóveis. Em janeiro daquele ano, o mecânico Anivaldo Martins e o pasteleiro Valdir Santos foram agredidos pelo PM Edgar Santos Silva, na saída de uma casa de shows no centro da Cidade. Os dois sofreram coronhadas, socos e chutes do PM, de um segurança da boate e outros dois homens não identificados.
O motorista de ônibus urbano Paulo Barbosa denunciou, em setembro de 1995, que foi ameaçado de morte pelo soldado Alberto, conhecido também por Carlão. Segundo Barbosa, o PM teria entrado no ônibus de revólver em punho e gritando palavras de baixo calão. O soldado estaria bravo com uma fechada causada pelo motorista de ônibus ao seu Opala, no trânsito, dias antes. O PM só foi embora depois que o motorista implorou para não ser morto.
Em agosto daquele ano, os PMs Paulo Gabriel, Antônio Brogioto e outro conhecido apenas como Gil foram acusados de agredir o menor F.C.S., de 14 anos, e a irmã dele, Adriana Cardoso da Silva, de 23 anos. A agressão teria ocorrido durante uma madrugada, no parque Ouro Branco (zona sul), quando os dois retornavam a pé de um baile naquela região. Os PMs abordaram os dois para revista e começaram a agredi-los com tapas, cassetetadas e ofensas morais.
Segundo o capitão Edwaldo Machado, oficial de planejamento e de pessoal do 5º Batalhão, houve instauração de sindicância ou abertura de inquérito para apurar todas estas denúncias. Nos casos de agosto e setembro de 95, os PMs foram transferidos para Curitiba, e não se sabe a sentença final. No caso de fevereiro deste ano, foi aberto um inquérito policial militar que ainda está em andamento.
Na denúncia de janeiro de 96, a sindicância considerou o PM Edgard Santos Silva inocente por falta de provas. Na de março daquele ano, o processo foi aberto na Justiça comum, onde ainda tramita, porque o PM acusado de assassinato não estava em horário de serviço. Na de novembro de 96, o soldado Alexandre Pereira foi responsabilizado e sofreu punição disciplinar, que Machado não soube informar qual.


