César AugustoSérgio Aquino: ‘Assim não vamos a lugar nenhum’A reunião promovida pela Sociedade Rural do Paraná e Movimento Nacional de Produtores contou com outra palestra, proferida pelo vice-almirante da reserva Sérgio Tasso Vasquez de Aquino, que é nascido em Curitiba mas reside em Brasília. A exemplo do jornalista mexicano, ele também considera que o MST é um movimento inspirado na revolução campesina chinesa que prega o ódio e se utiliza da violência armada para as invasões.
Porém, o militar aposentado não identifica com exatidão os financiadores e objetivos do MST, como faz Lorenzo Bazúa. E diverge dele, frontalmente, ao falar sobre as causas que levaram ao surgimento do movimento dos sem-terra. ‘‘As elites brrasileiras, egoístas e corruptas, são as responsáveis por esta situação de desesperança, desemprego e violência em que se encontra o País.’’
Na opinião de Aquino, as ‘elites oligárquicas’ que dominam o Brasil nas últimas décadas só estão preocupadas com a eternização do poder e levaram o País à maior concentração de renda da Terra. ‘‘Esta concentração é muito perversa com o nosso povo: 67% das riquezas pertencem a apenas 20% da população; os 20% mais pobres da população só ficam com 2% das riquezas produzidas. Isto é injusto e desumano. Assim, não vamos a lugar nenhum.’’
‘‘É lógico que esta concentração de renda e a injusta divisão das terras, somadas ao desemprego no campo e nas cidades, levam à violência. Elas estimulam as invasões de terra, e o MST é parte disto. Não diria que é consequência, mas só existe porque há estas condições favoráveis’’, disse Sérgio de Aquino, que foi o representante da Marinha no processo Constituinte de 1988 e responsável, por sete anos, pelo acompanhamento do movimento comunista internacional.
De acordo com ele, a situação do País - com constantes escândalos e de ameaça à soberania nacional - agravou-se muito desde a posse do ex-presidente Fernando Collor de Mello, em janeiro de 89. ‘‘Passamos a viver um estado dramático de corrupção moral, de iniquidade, de negociatas entre os amigos da corte com o dinheiro público, de demagogias e mentiras às vésperas de cada eleição’’, analisa o vice-almirante da reserva. ‘‘Vivemos mesmo um panorama de destruição do Estado Nacional, orquestrado pelos capitalistas internacionais e com respaldo do governo federal, que entrega as riquezas brasileiras - através dos leilões de privatização - a preços abaixo do que realmente valem.’’
Na avaliação dele, o Brasil passa por uma séria crise - ‘‘ao contrário do que dizem as propagandas governamentais’’ - e corre o risco de ser completamente dominado pelos grandes capitais transnacionais. ‘‘Nossos políticos fazem qualquer negócio por dinheiro. O governo de FHC é uma continuidade do governo entreguista de Collor, e está cheio de oportunismo, corrupção, falta de dignidade e covardia. Pior que os comunistas, que traíam a Pátria por uma ideologia, são os neoliberais, que a traem por dinheiro’’, acusou Aquino.
Fazendo questão em diferenciar os integrantes do MST dos bóias-frias - vítimas do modelo econômico e da concentração de rendas -, o conferencista diz que o movimento dos sem-terra serve de instrumento aos que desejam a diminuição da produção agrícola e o impedimento da escalada de grandeza brasileiras. ‘‘O MST usa uma violência barata e criminosa manipulado por interesses do capital transnacional. Esta violência, em vez de levar à solução de nossos graves problemas, pode levar à destruição do País.’’
(Osmani Costa)

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