Diretor do Banco Mundial
passa férias em Londrina
O economista Eleotério Codato, diretor do The World Bank, em Washington, Estados Unidos, está passando férias em Londrina e também em Cambé, onde tem familiares. Ele e seu concunhado Alexandre Cordeiro, que também trabalha com finanças, almoçaram com o hoteleiro Roberto Vezozzo, de quem são muito amigos. E é sempre aquela alegria para todos seus amigos. A conversa sempre gira sobre economia, dólar, dívida externa, aplicações de dinheiro. Claro, Eleotério está sempre bem informado. Contou, por exemplo, que os imóveis nos Estados Unidos triplicaram de preço. Por causa da queda das ações nas bolsas e também pelos problemas detectados em grandes empresas norte-americanas que balançaram os investimentos dos vários fundos e tambem pelos riscos anunciados em aplicar dólares em paises como o Brasil.
- Para não atrapalhar o bate-papo com os demais amigos, eu e o repórter Marcelo Militão, da TV Tropical, fizemos algumas rápidas perguntas ao ilustre visitante.
Verdade que as pessoas e até os fundos passaram a investir mais nos EUA, a comprar imóveis, por exemplo, de medo do que poderá acontecer com paises como o Brasil, que tem eleições presidenciais este ano?
Eleotério Codato - É verdade. Uma casa que custava US$ 400 mil em Washington está sendo vendida por US$ 1,2 milhão. Simplesmente triplicou de preço.
Por que eles não aplicam o dinheiro nos bancos de lá, como aqui no Brasil?
Eleotério - Porque simplesmente rendem apenas 1,5 por cento ao ano! É quase nada.
E os brasileiros que investem aqui nos chamados fundos DI, poderia dizer alguma coisa?
Eleotério - Acho que ainda é o mais seguro, pois é uma espécie de pluralidade de aplicações feitas pelos bancos. Aconselhei minha mãe a investir seu dinheirinho nesses fundos.
Você acha que os investidores tem mesmo medo dos resultados das eleições no Brasil?
Eleotério - Tem. Há um candidato que passou 20 anos dizendo que iria estatizar tudo. Há um outro que pertence a um partido que sempre pregou a estatização total. Isto amedronta a todos os investidores, pois há outros locais mais seguros para colocar seu dinheiro. E ninguém muda da noite para o dia. Por isso, o receio de todos. E levam os dólares que tinham investidos aqui.
Quantos países fazem parte do Banco Mundial?
Eleotério - São 187 paises e o Brasil tem posição de destaque em seu conselho. O Banco é triplo A no conceito mundial. O nosso atendimento é de 'bank resort'.
Quem é o presidente?
Eleotério - É o australiano James Wolfensonh, de descendência judaica e cidadão norte-americano naturalizado.
Eles se destacam sempre onde há bancos, dinheiro, etc?
Eleotério - É verdade. Em dois setores, os descendentes de Israel têm grande destaque nos EUA: nas finanças e bancos e na comunicação, como donos de televisões, jornais, revistas e etc.
O Banco Central dos norte-americanos sabe quanto há de dólares espalhados pelo mundo?
Eleotério - Sabe. E lá nos EUA já se começa a perceber que o dinheiro de plástico vai substituindo as cédulas aos poucos.
As notas de dólares estão rareando?
Eleotério - As de mil dólares e de 10 mil só nos grandes negócios é que aparecem. E a utilização dos cartões de crédito estão aposentando a cédular verdinha. E há uma grande novidade no mercado: o debit-card.
O que venha a ser o debit-card?
Eleotério - É o valor que um seu cartão tem para gastar. É como se fosse um celular pré-pago. Você tem um cartão de 100 dólares. Paga 20 no mercado, 30 na loja e vão descontando, através da parafernália eletrônica, do computador. Quando acabar a grana, pára de comprar.
E se alguém roubar o seu debit-card?
Eleotério - Você cancela, telefona, toma as providencias. É como se fosse um cartão comum de crédito desses que temos lá e aqui.
E a Argentina sai do buraco com a ajuda do Bird?
Eleotério - Os argentinos terão que trabahar muito. Acertar muita coisa. E parar com essa de determinar taxa de câmbio através de lei. Na paridade muitos deitaram e rolaram. Agora todos pagam por isso. Mas acho que Washington fará o possivel para ajudar a Argentina. Ela é um problema de todos na economia mundial.
Está mais dificil para os estrangeiros desembarcarem em Washington, depois dos atentados de setembro último?
Eleotério - Eles tomaram algumas providencias drásticas. Agora, tanto em vôo doméstico como em internacional, 30 minutos antes de chegar ao aeroporto da capital dos Estados Unidos nenhum passageiro pode se levantar do lugar nem para ir ao banheiro. Se for, será detido. Se insistir, o comandante do avião desviará a rota para outro local. E a pessoa sairá do avião direto para a cadeia.
E se estiver fazendo xixi nas calças?
Eleotério - Eles dizem: que faça. Porque a segurança da Casa Branca e do Pentágono é muito mais importante.
Finalmente, o Brasil pode ainda vir a ser uma Argentina, do jeito que vai o dólar?
Eleotério Codato - Não acredito. Com todo o respeito ao país vizinho, o Brasil está bem melhor posicionado em todos os sentidos.

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