(Militão Repórter)

Milanez volta da Alemanha impressionado
com circulação dos jornais: 22 milhões!

Arquivo pessoalOs jornais de Frankfurt criaram o seu Centro de Impressão fora da cidade. Para evitar a poluição. Jens Becker, representante do governo alemão, levou Milanez para visitar a cooperativa. Também na foto está Werner Ressdorff, que dirige o Centro que tem cerca de cem conjuntos de impressoras.Pela quinta vez, o jornalista João Milanez foi à Alemanha, a convite do governo daquele país. Do programa constaram visitas a indústrias como a Mercedes-Benz, em Stuttgart, onde ele ficou sabendo que a empresa tem vários robôs na montagem de carros, mas ainda mantém 600 mil funcionários espalhados pelo mundo. Ele, e mais quatro jornalistas, seus companheiros de viagem, ficaram sabendo que a Mercedes diz que vem com tudo para a América Latina. Principalmente no Brasil, onde espera lançar o primeiro carro - Classe C - produzido em Juiz de Fora, Minas Gerais. O lançamento está previsto para abril de 98.
Aqui, só 4 milhões
Em Frankfurt, visitaram o jornal local, um dos maiores da Alemanha, com circulação de 400 mil exemplares. Trata só de assuntos econômicos. Que interessa muito aos empresários germânicos. Mas o jornal de maior tiragem é o Spingger, de Berlim, que é standard e tem várias edições diariamente. O prédio do jornal fazia parte do famoso muro de Berlim. O almoço com a diretoria foi dos mais animados. Milanez observa que a Alemanha edita vinte e dois milhões de exemplares por dia, entre todos os seus jornais. O Brasil apenas 4 milhões! E temos o dobro da população germânica! Essa circulação é apenas na chamada Alemanha Ocidental. Porque a Oriental ainda não se enturmou mentalmente e culturalmente com o outro lado. Os jornais ainda não entraram na Internet e também na modernidade em geral, embora tenham os melhores equipamentos do mundo em todos os sentidos. Acham que a Internet pode atrapalhar a vida econômica deles.
Alemães mais alegres
O jornalista já esteve em outras épocas na Alemanha Oriental, atravessando o portão do muro de Berlim. E lá o alemão comunista não podia nem fazer um ar de alegria, quando alguém chegava. Hoje, isto já mudou 80 por cento na fisionomia deles. Ainda são um pouco carrancudos. Mas isto é próprio do alemão. Também pudera: quase 60 anos de agressões, ditaduras, mortes, policiamentos ostensivos, etc., só poderia dar nisso. O museu na Alemanha Ocidental mostra como as pessoas fugiam da parte Oriental. Dão detalhes de quantos foram mortos pulando o famoso e vergonhoso muro. Mostram como fugiam, através de caixão de defunto, do capô de carros, etc. A polícia colocava espelho embaixo dos carros, para ver se ninguém estava amarrado tentando fugir. Agora o muro de Berlim virou comércio. Há pedaços à venda, por 10, 50, 100 dólares. Embalado, para o turista levar e colocar, por exemplo, em sua mesa de trabalho. Os monumentos que ficaram no lado oriental já estão preparados para receber visitantes. Estavam, antes, abandonados. Hoje já são fontes de renda. Até os foguetes soviéticos lá estão, expostos em salas, mostrando ao público o repúdio da Alemanha unificada àquilo tudo.
Berlim é só obras
A capital do país deixará de ser Bonn. Irá tudo para Berlim. O canteiro de obras, nessa cidade, por isso mesmo, é, atualmente, o maior do mundo. Dá emprego para milhares, embora o desemprego alemão seja de 11,6 por cento de sua população, que agora é de 82 milhões de pessoas. Em Bonn, observou-se que as autoridades alemãs estão preocupadas com o homem. Não mais com a guerra. Dizem que desejam valorizar os homens do mundo todo. Querem reduzir os impostos, pois acham que a carga é muito grande. Um bom lembrete para o Brasil. Mas há resistências dos partidos alemães. Os empresários acham que havendo redução de impostos, o capital estrangeiro seria atraído. Eles também correm atrás do dinheiro de fora, igual ao governador Jaime Lerner ou mais até. Querem reduzir 11 por cento nos impostos. Esse dinheiro seria reaplicado nas próprias indústrias, gerando também mais empregos.
Munique cultural
Munique continua sendo a capital cultural da Alemanha. Seus teatros, casas de shows, castelos famosos, palácios suntuosos, o cultivo da área verde, são atrações que levam muitos turistas àquela cidade. A Alemanha é um país verde e muito limpo. Os trens de passageiros funcioam muito bem. As estradas são superconservadas e o transporte fluvial é qualquer coisa de impressionar. A Alemanha tem 60 mil jornalistas, dos quais 30 mil filiados ao Sindicato. O diploma não é obrigatório para ser jornalista. Nem ser sócio do Sindicato. Há, no entanto, cursos de jornalismo, que são dos mais rigorosos.
Estão mais educados
A Alemanha melhorou em todos os sentidos, diz Milanez. O alemão está mais educado. Talvez tenha sido a influência do Mercado Comum Europeu. Aprenderam outros idiomas, há influência das televisões, de jornais, de revistas. A mulher alemã só trabalha e parece que não quer saber de mais nada. Difícil engatar um romance com uma delas. Milanez viu em Berlim parte de um desfile com 800 manequins, homens e mulheres, de toda a Europa. Cinquenta mil pessoas presentes, uma passarela de 1.500 metros, com a mesa de quatro lugares, com direito a jantar, custando 800 dólares. A comida não é apenas joelho de porco, salsichão e marreco. Os pratos internacionais estão em todos os lugares. Com 18 dólares você almoça bem. No Brasil, um bom almoço custa 50 dólares. Perguntei-lhe: e seus colegas de viagem comeram muita coisa? Ele respondeu: nem joelho de porca... Muitas lojas, com roupas expostas. A maioria dos carros é alemã. Os táxis são Mercedes. O alemão vem do outro lado do país, para comprar o carro na fábrica. Ele exige testar o carro, quer saber se está tudo ok. Compra na revendedora, mas vai buscar na fábrica. Milanez viu uma fila de pessoas esperando pelos carros. Se eles quiserem, assistem à montagem final dos veículos.
Tchau pro comunismo
A Mercedes-Benz diz que ninguém os supera. Nem a BMW, nem a Audi, nada. A Mercedes coloca reforços de aço puro nos capôs dos carros, para segurar pancadas, para que as pessoas tenham mais segurança. O jornalista João Milanez ficou lá durante 15 dias. Foi pela Varig e voltou pela Lufthansa. Os alemães reclamam também da crise econômica, mas o país está muito bem. O que precisa ser feito é normalizar a vida dos alemães orientais no setor jurídico. Por exemplo, a casa própria de cada um. Elas eram todas legalmente do Partido Comunista. O alemão oriental poderia ser surpreendido por uma ordem mandando que ele desse a metade de sua casa para outra família. Se trabalhasse à noite, teria que deixar quem cumpria o turno de dia, morar e dormir na mesma casa.
Por isso, o comunismo acabou na Alemanha e o muro de Berlim foi detonado!
Para a humanidade, um grande alívio. Para os fabricantes de armamentos, uma derrota. A vitória da democracia é sempre um grande revés para as ditaduras, finalizou o jornalista João Milanez. Foi sepultado sexta-feira, em Curitiba, o sr. Sebastião Penteado Darcanchy, que foi presidente da Câmara Municipal e prefeito interino da Capital. Faleceu aos 85 anos. É pai de Ana Maria D. da Rocha, esposa de José Cezário da Rocha.
Barão Vermelho, Raimundos e Titãs hospedados no Bourbon. Onde está também Otávio Mesquita, do SBT. Recebidos por Gilberto Simioni. No Sahão Palace hospedou-se o grupo Três do Rio, que veio animar baile no Grêmio. O trio foi recepcionado pelo gerente Nelson Carrijo.

Os médicos Luiz Carlos Miguita, Laércio Uemura, Luzia Nobuko Ochiro e Ricardo José Rodrigues enviaram ofício ao delegado-chefe da 10ª Subdivisão, Vandercy Corral Fernandes, agradecendo o empenho dos policiais da 10ª Subdivisão na localização dos assaltantes que renderam funcionários do Centro de Doenças do Coração e arrombaram o cofre, levando dinheiro e pertences dos médicos. O caso está esclarecido. Os autores do delito estão presos.

Londrina comemora 100
anos de Di Cavalcanti

Arquivo pessoalJosé Sandreschi fala sobre o artista que deu o nome ao edifício da Piauí com a Belo Horizonte. Para que ninguém pense que Di Cavalcanti era o dono do terreno ou empreiteiro da obra.Os condôminos do Di Cavalcanti decidiram comemorar o centenário de nascimento do patrono do prédio que fica na esquina das ruas Belo Horizonte e Piauí, em Londrina, com a introdução, dia 8 último, do quadro ‘‘O Gato no Colo’’, no hall de entrada do edifício. A idéia foi de José Augusto Sandreschi e do síndico Marcos Godoy Coronado, aprovada por todos os demais. Eu concordo com eles: a história precisa ser contada. Para os que são jovens, para os que estão chegando, saibam quem foi quem e qual a razão da homenagem. No caso, qual a origem do nome do prédio em que moram ou que estão visitando.
O homenageado
O pintor Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo nasceu e morreu no Rio de Janeiro. Dia 6 de setembro, festejou-se o centenário do seu nascimento.
O quadro O Gato no Colo foi introduzido no hall do prédio.
Di nasceu na casa do célebre abolicionista José do Patrocínio, que se casara com sua tia Maria Henriqueta. Di Cavalcanti foi amigo de Machado de Assis, Joaquim Nabuco e Olavo Bilac. Di Cavalcanti largou o curso da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo, pela pintura e pelas redações dos jornais. Acabou em Paris, onde montou um pequeno ateliê em Montparnasse. De lá, pintava e escrevia crônicas para o Correio da Manhã. Teve influência dos artistas italianos, mas foi Pablo Picasso quem o influenciou mais. Adorava as mulatas! Para ele, elas sempre foram o símbolo do Brasil. Di Cavalcanti modernizou a mulata, deu-lhe também a dignidade da madona renascentista. Gostava de pintar gordos e mulatas arredondadas. Um quadro dele vale hoje em torno de 600 mil dólares. Homenagem merecida. Uma noite de cultura nesta Londrina surpreendente. José Augusto Sandreschi não poderia ter sido mais feliz!Há dez anos falecia Dinho Gordo,
o ‘Rei Momo’ que Londrina amava

Arquivo FolhaComo ‘Rei Momo’, foi o grande símbolo do Carnaval londrinense•Semana da Pátria de 87: a cidade perdia muito de sua alegria, de sua graça! Falecia Dinho Gordo, o ‘Rei Momo’ que a cidade tanto amava.
Fez dez anos, portanto, que Geraldo Julio se foi. Procurando fotos no arquivo da Folha vi a bela reportagem que João Arruda fez sobre ele, quando de sua morte, vítima que foi de enfarte fulminante. Foi no dia 3 de setembro de 87.
Dinho nasceu em Assis, São Paulo. Trabalhou como humorista, no Rio e São Paulo, atuando com Agildo Ribeiro e Consuelo Leandro. Veio para Londrina, trabalhando com vendas. Foi o grande relações-públicas da Cervejaria Londrina. Tomava cinco litros de chope durante os comerciais da empresa nos intervalos do programa Os Intocáveis, exibido em 65 e 66 pela TV Coroados, então da Rede Tupi de Televisão. Atuava no programa de Antonio Euclides Sapia, seu amigo e compadre, também já falecido. Dinho foi também viajante comercial. Foi vereador em Londrina, tendo a maior votação que o Patrimônio Regina já deu a um candidato.
Os três filhos
•Geraldo Julio foi casado duas vezes. A primeira com Esther, com quem teve o filho João. O rapaz é hoje um dos principais executivos da CVC Turismo, em Miami, Estados Unidos. Do casamento com Irene, Dinho teve os filhos Geraldo e Osvaldo. O primeiro é engenheiro mecânico e o segundo, formado em hotelaria, é gerente do L’Hotel, em São Paulo.
O maior de todos
•Dinho foi o maior ‘Rei Momo’ que Londrina já teve. Punha dinheiro do bolso para pagar as fantasias. Sempre tendo a seu lado o valete Carlinhos Scalassara. Uma dupla da Londrina boêmia, da Londrina dos tempos alegres, festiva, amiga!... Dinho tinha trono em todos os clubes. Entre os grandes amigos de Dinho, podemos citar Toninho do restaurante (Antonio Divino de Andrade e sua esposa Déa), Algacir Xulipa Penteado, Roberto Vezozzo, Chico Olivieri, Nassib Jabur, Antonio Gil Gameiro (gerente da Skol, também já falecido, um dos homens mais educados que eu conheci), Antonio Euclides Sapia, o advogado Adir Sebastião Ferreira, Paulinho Patarelli, Mário Fuganti, o médico Stochero, Carlinhos Scalassara e Miro Fernandes.
Monções, o QG
•Dinho foi morar no Hotel Monções, quando veio para Londrina. Que era o QG dos viajantes. Era o rei da noite. Quase matava todo mundo de rir ao contar suas piadas. Era um artista. A frente do Hotel ficava lotada de amigos, todos gargalhando sempre. Bons tempos. Solteiro, adorava a boemia, como os demais viajantes. No Carnaval, os viajantes formavam os blocos de sujo, com a maioria saindo vestidos de mulher. Eram a grande alegria na Avenida Paraná. Os mais velhos devem se lembrar. Era o tempo do lança-perfume. Londrina tinha na época suas famosas boates, com mulheres de todas as partes do país. Dinho, solteiro, tinha duas fãs confessas na boemia: Janete Caracu e Maria Gasolina.
Leitoa e sobremesa
•São muitas as histórias vividas por Geraldo Julio. Ainda no tempo dos Supermercados Fuganti (onde hoje é o Bamerindus), ele comprou uma leitoa inteira. Ao pagar, disse para a caixa, uma garota pequena, chamada Mariazinha: não vejo a hora de assá-la. Quero bem esturricada. O senhor vai comê-la com quêe? - perguntou Mariazinha. Com arroz, farofa e cerveja, respondeu Dinho. E a caixa: coitada, o senhor não tem dó? E ele: menina cala a boca, senão mando embrulhar você também e te como de sobremesa...
Nome de bar
•Dinho Gordo é o nome do bar do Hotel Bourbon, dado por seu amigo Roberto Vezozzo. Na parede, em mármore, a poesia de Domingos Pellegrini, o outro Dinho, a ele dedicada: Tudo muda. Geraldo, Geraldinho, Dinho. Gordo como Buda. Alma de passarinho, vida de rei (Momo), artista de assobio e trombone, pianista, viajante, sempre a avisar aos navegantes: não me façam nome de rodovia! Mas ninguém te trairia Dinho deixe estar: nosso único homem público nome de bar!

mockup