Em novembro de 2019, o idealizador do movimento cristão “Eu Escolhi Esperar”, Nelson Neto Junior, 46, esteve em reunião com a ministra Damares Alves, para divulgar o projeto que foi iniciado em 2011 nas redes sociais e já alcançou mais de três milhões de seguidores.

“Estivemos reunidos para dizer que há uma demanda reprimida sobre o tema de preservação sexual, valorização do sexo e relacionamentos saudáveis. Hoje, temos no Brasil uma exclusão reversa. Ou seja, temos políticas públicas voltadas para os grupos de risco, mas um universo de adolescentes menores de 14 anos que ainda não iniciaram a vida sexual e que não têm sido contemplados. Essa é uma faixa etária que precisa do que eu chamo de prevenção primária”, afirma.

Nesse contexto, Junior cita como base os dados coletados na PeNSE (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar) de 2015 e que em breve terá novos dados publicados. Pensando nos meninos e meninas menores de 14 anos, Junior defende a abstinência sexual no que ele chama de prevenção primária. “É pegar o público mais novo e mostrar para eles que esperar também é uma escolha, que vale a pena e que tudo tem o tempo certo”, diz.

O movimento liderado por Junior, surgiu da própria experiência com a esposa. Ambos casaram virgens e perceberam que outros jovens buscavam ajuda, orientação e encorajamento também. “Quando a gente criou a campanha, não buscamos convencer as pessoas. A ideia era atender o público que resolveu esperar, até porque não havia nada nesse sentido. A gente vai além da castidade. Trabalhamos o emocional, a conscientização de romances duradouros e saudáveis. Falamos também sobre romances abusivos, tóxicos”, explica.

O 'Eu Escolhi Esperar" é voltado para o público cristão, de católicos e evangélicos, e a maioria, de acordo com Junior, jovens e adultos que já não são mais virgens, isto é, que já tiveram experiências sexuais, mas que agora optaram por esperar dentro de uma nova relação.

Para ele, essa é uma tendência natural. “O sexo é muito banalizado e hoje, há uma nova geração que anseia por romances mais duradouros. Muitos jovens estão vendo o sexo com muito mais valor e estão buscando relacionamentos mais saudáveis, pois eu digo que vivemos uma cultura do descartável e isso é muito forte nas relações atualmente. Ninguém quer passar por isso”, defende.

Ao ser questionado sobre o viés religioso na temática das relações sexuais, Junior destacou que o movimento é cristão e que dele surgiu uma organização da sociedade civil para desenvolver projetos de interesse público, nas áreas da saúde, educação e assistência social.

“Agora queremos avançar e ampliar essa proposta. Temos conversado com representantes de Estados e prefeituras para trabalhar a temática em todas as esferas. Temos um desejo muito grande de ter no Paraná, que é um estado conservador, uma pauta como a nossa”, pontua.

Junior é carioca, formado em Teologia e mestrando na área de Comportamento Humano. Ele também possui seis livros publicados sobre relacionamentos e vida cristã.

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