A chuva fina e o frio repentino na manhã de ontem pegaram muitas pessoas desprevenidas, mas o movimento nos cemitérios de Londrina foi grande. Famílias inteiras aproveitaram a quarta-feira para visitar os túmulos e prestar homenagens aos entes queridos, no dia especialmente dedicado a eles. Com a melhoria do tempo à tarde, o movimento nos cemitérios duplicou em relação a manhã, destacou o superintendente da Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários (Acesf), Osvaldo Moreira Neto.
Um esquema especial de atendimento foi montado pela Acesf para atender os 150 mil visitantes esperados nos cinco cemitérios da área urbana. Filas se formaram diante dos terminais de computador instalados para auxiliar na procura de sepulturas. Nenhum incidente, segundo a Acesf, foi registrado.
No Cemitério Jardim da Saudade (Zona Norte), o maior da cidade com 10.441 jazigos, milhares de pessoas circulavam pelos corredores. Carregando vasos de flores, velas e até cruzes, os parentes prestaram as homenagens, cada um de forma muito particular. Orações, lágrimas, momentos de reflexão e de muitas lembranças fazem parte das cenas mais comuns em dias como o de ontem.
A dona de casa Elza Luciano Tardi, moradora do Jardim Tókio, segurava um rosário e rezava sozinha. ''Venho sempre ao cemitério rezar pelos parentes, mas o dia de hoje é especial'', afirmou. Ela conta que também reza por uma amiga, que antes de morrer, fez um pedido importante. ''Ela pediu que sempre que eu viesse ao cemitério lembrasse dela nas orações e acendesse um maço de velas.''
O aposentado Gasparino Gomes Pereira, de 66 anos, entrou no cemitério carregando flores e uma cruz de madeira, onde o nome da mãe, Maria Joana Rodrigues, foi escrito a mão. ''Não tem nada no túmulo dela, então vou colocar a cruz e as flores'', justificou a forma singela que ele encontrou para homenagear o ente querido, que morreu há apenas seis meses.
No Cruzeiro, onde um grande número de pessoas se concentrou para acender velas e fazer orações, a dona de casa Maria de Souza, acompanhada de três filhos, rezava pelo marido, que morreu há oito anos. ''É muito difícil. É uma dor que a gente não esquece. Num dia como o de hoje, a emoção é muito maior'', relatou.
No Cemitério São Pedro, no Centro da cidade, estão 6.480 jazigos. O comerciante Kioshi Kikumoto e a professora Cristina Kikumoto visitaram os túmulos dos avós, irmãos, tios e primos. ''É um dia especial para relembrar nossos antepassados e rezar por eles'', afirmou Kioshi.
A peregrinação da dona de casa Nadir de Almeida, de 76 anos, começou cedo. Acompanhada de um neto, ela já tinha passado por dois cemitérios. ''Tenho cunhados, filhos, pai e madrasta emterrados e faço questão de visitar todos os túmulos. Lembro deles todos os dias, mas hoje é um dia muito importante''.

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