Bandeirantes - A violência cometida contra uma estudante de Bandeirantes (Norte), estuprada na madrugada da última sexta-feira, foi a gota d'água para os universitários e moradores. Sensibilizados com o caso da jovem e cansados dos inúmeros roubos e furtos, eles se reuniram ontem à tarde numa grande manifestação para chamar a atenção das autoridades pela falta de segurança no município. Comerciantes também aderiram ao protesto.
Milhares de pessoas participaram da passeata, que percorreu as principais ruas e durou mais de duas horas. A iniciativa partiu de estudantes da Faculdade Luiz Meneghel, instituição onde estuda a jovem que foi violentada. A concentração começou por volta das 13 horas em frente à faculdade. Munidos de apitos e vestidos com roupas pretas, os estudantes foram acompanhados por uma grande quantidade de veículos e motocicletas. Enquanto passavam pelas ruas, os comerciantes iam fechando as portas dos estabelecimentos como forma de apoio ao movimento.
Pais de alunos que residem em outras cidades, inclusive de outros Estados, marcaram presença. ''No dia seguinte do caso da moça que foi violentada, a quitinete de minha filha foi arrombada. A gente não tem tranquilidade, e se for para continuar assim teremos que levar nossos filhos embora. Eu deixei meu marido, meu trabalho e minha vida lá na minha cidade para participar dessa ação em busca de mais segurança pra ela'', disse uma mãe, que preferiu não se identificar.
Revoltada com o descaso da Polícia Militar da cidade, a estudante Mariana Grotti Pereira, do curso de Biologia, contou que há algumas semanas ligou para pedir ajuda porque alguns amigos tinham sido espancados numa tentativa de assalto. ''O policial disse que não iria no local e fez pouco caso durante a ligação'', reclamou.
O pai da jovem violentada disse que a estudante ainda não sabe se vai continuar o curso. ''Vou pedir à faculdade alguns dias de afastamento para ela pensar, mas se ela resolver ficar aqui, terei que arrumar um lugar mais seguro para morar'', comentou.
Todas as escolas municipais foram liberadas para participar do ato, totalizando cerca de 250 crianças. A manifestação também se concentrou em frente à prefeitura, pedindo por mais segurança.
A passeata terminou em frente à Delegacia da Polícia Civil, que permaneceu o tempo todo com os portões fechados. Depois que os manifestantes foram embora, o delegado Alessandro Roberto Luz atendeu a imprensa. Segundo ele, as informações que correm na cidade de que haveria diversos casos de estupro não procedem. ''Tivemos apenas dois casos, com este da semana passada. O outro foi no ano passado quando a família não quis dar continuidade ao caso. O suspeito continua preso e permanecerá até o término do inquérito. O que acontece em Bandeirantes são muitos casos de furtos e pessoas que são molestadas, mas que legalmente está longe de ser considerado um estupro'', disse.
De acordo com ele a cidade não registrou nem 10 homicídios este ano e garante que a Polícia Civil está atendendo as necessidades da cidade. ''Podemos dizer que estamos atuando de forma intensa, até mesmo porque na mesma manhã do caso prendemos um suspeito.'' Bandeirantes tem 35 mil habitantes e duas universidades, que atendem cerca de 5 mil universitários.
A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Estado, que pediu para a FOLHA entrar em contato com o comando da PM. Esse, por sua vez, sugeriu que a reportagem falasse com a PM de Bandeirantes. O responsável não foi encontrado ontem de manhã na cidade. Segundo populares, há apenas 1 viatura para atender todo o município.

mockup