A força da fé move a devoção à Nossa Senhora Aparecida. Ontem, Dia da Padroeira do Brasil, eram esperadas 25 mil pessoas no Santuário da Vila Nova. A chuva atrapalhou um pouco a festa, mas, apesar disso, féis londrinenses e de outras cidades da região prestaram homenagens à santa, que emergiu das águas do Rio Paraíba para o coração da crença popular.
  ‘‘Maria é grande, precisamente porque não quer fazer-se grande a si mesma, mas engrandecer a Deus’’.
  Na encíclica ‘‘Deus é Amor’’, o Papa Bento XVI aponta o destino da fé mariana, que repousa em Deus.
  A esse ensinamento, o arcebispo de Londrina, Dom Orlando Brandes, que presidiu uma das celebrações no Santuário da Vila Nova, acrescenta outro: ‘‘Nossa Senhora é discípula de Jesus e, na escola de Maria, nós aprendemos o Evangelho’’, afirmou o arcebispo, dizendo ainda que a religiosidade popular em torno de Maria é positiva, mas que também precisa passar pelo crivo da evangelização.
  Dom Orlando dispensou o transporte de carro até o santuário, fazendo a pé o trajeto de 1 hora de sua residência até a igreja.
  Com os pés descalços, oferecendo flores e velas à padroeira, os milhares de devotos que participaram das nove celebrações no santuário também fizeram uma trajetória de fé.
  Além das missas, houve queima de fogos, benção de carros, procissão e coroação de Nossa Senhora.
  Enfrentando o calor e o comércio de velas, flores e comida de todo o tipo nas barracas montadas em frente à igreja, alguns féis como Maria Conceição França, 59 anos, que mora em Tamarana (62 quilômetros ao sul de Londrina), enfrentaram também os limites da distância para estarem mais pertos de Maria.
  Nas mãos, a maioria levava o agradecimento por graças recebidas e o pedido de novas bençãos.
  ‘‘Vim com 10 pessoas da minha família. Tenho recebido muitas graças da Mãe do Céu. Uma das mais impressionantes foi a cura da minha neta. Quando ela era ainda bebê teve meningite, ficando como morta. Fiz uma promessa à Nossa Senhora. Se a menina sarasse, eu levaria uma foto dela até Aparecida. A garota sarou e eu cumpri o prometido’’, lembra Maria Conceição, acrescentando que, atualmente, a neta está com 31 anos de idade.
  Com a elevação da paróquia de Nossa Senhora Aparecida à condição de santuário, em 1997, os fiéis não precisam mais ir até a cidade paulista, podendo pagar a promessa em Londrina.
  Desde fevereiro, o padre Moacir Calza é o pároco do santuário londrinense e, pela primeira vez, acompanhou a organização da festa na cidade.
  ‘‘Em primeiro lugar, a importância desse devoção é pela situação social, política, cultural e religiosa em que vivemos. O povo se preocupa em buscar num exemplo divino de mulher, filha de Deus, uma solução para os problemas angustiantes, a insegurança, violência e desemprego‘‘, avaliou Calza.
  A devoção a Nossa Senhora Aparecida nasceu em 1717. Três pescadores, Domingos Garcia, Felipe Pedroso e João Alves, pescavam sem sucesso no Rio Paraíba para garantirem o almoço do conde de Assumar, governador da província de São Paulo, que visitava a Vila de Guaratinguetá.
  Eles lançaram as redes e recolheram primeiro o corpo e depois a cabeça de Nossa Senhora da Conceição, que por ter sido achada ganhou o nome de Aparecida.
  Nascia a fé que, em 1929, o Papa XI confirmou ao proclamar a santa como Padroeira do Brasil.

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