Foz do Iguaçu registrou, nos dois últimos dias, cenas que demonstram a crise enfrentada pela cidade, apontada há duas décadas como um novo Eldorado. Milhares de pessoas formaram filas em busca de uma vaga para trabalhar na instalação de duas turbinas na Itaipu Binacional e de uma oportunidade na frente de trabalho aberta pela administração municipal.
Ontem, a prefeitura iniciou o cadastro para a contratação de mil pessoas em regime temporário. A expectativa é de que seis mil pessoas preencham uma ficha de inscrição até sexta-feira. Anteontem, quase mil pessoas tentaram garantir uma das 300 vagas para trabalhar na usina hidrelétrica. Ao todo, foram cerca de sete mil pessoas à procura de emprego.
Salvo exceções, elas pertencem ao grupo dos 30 mil pessoas (11% dos 258 mil habitatantes de Foz) desempregadas ou estabelecidas no setor informal, onde estão incluídos atravessadores de mercadorias do Paraguai para o Brasil. Em menor escala, estão inseridas na faixa de 69% da população com renda familiar de um até três salários minímos.
Que resposta as autoridades darão a essa legião quando expirar o tempo dos empregos temporários? Qual será a justificativa para quem continuar sem serviço, para aqueles que perderem a vergonha e passarem a engrossar os índices de criminalidade na cidade mais violenta do Paraná?
Assim, soa estranha a proposta de autoridades da segurança pública, reunidas anteontem na cidade, num fórum de combate à violência. A sugestão apresentada para enfrentar a violência é colocar barcos nos rios e lagos, policiais nas pontes, nas favelas e até usar helicópteros para prender pessoas de ‘‘condutas ilícitas’’, algumas delas consideradas aventureiras por enfrentar filas em busca de empregos.

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