Milésimo transplante é bem-sucedido
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quarta-feira, 15 de abril de 1998
Anna Camanducaia 
Albari RosaVitóriaLeonardo beija o irmão Lucas, que doou a medula: quatro meses na fila de espera no HCO milésimo paciente a receber transplante de medula óssea no Hospital de Clínicas (HC), de Curitiba, Leonardo Lauriano Ribeiro, de 3 anos, está bem e deve ficar internado por 20 dias. A cirurgia começou ontem por volta das 10h e foi até o meio-dia. Mesmo depois de receber alta, o garoto terá que permanecer em Curitiba por três meses.
Leonardo, o pai, Edilson Ribeiro, de 31 anos, a mãe, Elma, de 31, e o irmão mais velho, Lucas, de 8 anos - todos de São Paulo - estão em Curitiba desde o dia 8 de abril. Lucas veio a Curitiba para ser o doador. Leonardo tem outras duas irmãs: Laís, de 6 anos, e Ester, de 2.
Transplante - O transplante consiste em aspirar o sangue da medula do doador e injetá-lo na veia do receptor. O sangue é retirado do osso da bacia e, por isso, o doador pode sentir dores na região, com o término do efeito da anestesia peridural. Quem recebe o transplante pode apresentar inflamação nas mucosas até o 14º dia, e febre e infecções até o 21º dia. A febre pode ocorrer a partir do quarto dia, quando o número de leucócitos diminui devido ao tratamento quimioterápico, feito antes do transplante.
Albari RosaPasquini, coordenador da equipe, comemora com Leonardo o transplante
Até ontem à tarde, Leonardo não apresentava nenhum dos problemas, segundo o médico Ademar da Cunha Júnior, da equipe do Serviço de Transplante de Medula Óssea do HC.
Leonardo precisava do transplante porque tem Anemia de Fanconi, uma doença hereditária que provoca alterações na medula óssea (menor produção de glóbulos brancos e vermelhos e de plaquetas). Os portadores da síndrome apresentam também baixa estatura, peso abaixo do normal, microcefalia, anormalidade dos polegares, olhos pequenos, problemas renais, cardíacos e auditivos.
Os pais de Leonardo descobriram que a criança tinha a doença há cinco meses. Eles ficaram na fila de espera do HC durante quatro meses - tempo considerado pequeno no caso de Leonardo. Hoje, o hospital tem 250 pessoas esperando para fazer o transplante. No Brasil, são feitos anualmente 350 transplantes. O HC é responsável por um terço deles.


