Milésimo transplantado tem alta
Milésimo transplantado tem alta
Mônica Kaseker
O milésimo transplantado de medula óssea do Hospital de Clínicas recebeu alta ontem, 23 dias após a cirurgia. Leonardo Lauriano Ribeiro, de três anos, ainda está com inflamações na boca e garganta, um dos sintomas previstos durante a recuperação, mas está reagindo bem, segundo o chefe do Serviço de Transplante de Medula Óssea do HC, Ricardo Pasquini. Durante os próximos três meses, Leonardo vai ser medicado diariamente no ambulatório do HC e depois desta fase poderá voltar para São Paulo, onde mora.
Leonardo teve Síndrome de Falconi, de origem genética. Segundo Pasquini, o gene que provoca a síndrome é bastante comum, aparecendo em uma entre 300 pessoas. Mas a síndrome só ocorre quando o pai e a mãe tem o gene e os transmitem para o filho. Leonardo tinha anemia constante e problemas nos rins. Os pais descobriram a síndrome em novembro e foram encaminhados pelo Hospital São Paulo ao HC, que faz parte de uma cooperativa internacional que estuda a Síndrome de Falconi.
O irmão de Leonardo, Lucas, de oito anos, foi o doador de medula óssea. Depois de passar um pouco de medo, Lucas aceitou bem a idéia. Foi legal salvar a vida do meu irmão e nem doeu, conta.
O pai de Lucas, Edilson Leite Ribeiro, diz que já gastou mais de R$ 5 mil e deverá gastar ainda mais porque teve que alugar um apartamento perto do hospital para terminar o tratamento. Edilson tirou férias e depois conseguiu ser dispensado do trabalho. A empresa em que trabalha, a Gráfica Gonçalves, em São Paulo também ajudou nas despesas.
Nos próximos meses, Leonardo vai exigir cuidados especiais. Tudo em que ele toca deverá ser esterilizado e toda a comida terá que ser cozida, inclusive frutas, e servidas na hora. O menino está com as defesas naturais do organismo reduzidas por medicamentos, para evitar rejeição à medula transplantada.
O enxerto contra hospedeiro é uma complicação possível e equivale ao oposto da rejeição. No caso do transplante de medula, todo o sistema imunológico do doador é transferido para o receptor e pode reagir contra o organismo. Quanto mais demorar esta reação, mais fácil fica o controle dos sintomas, segundo Pasquini. Diarréia, icterícia e erupções cutâneas são os mais comuns. Na idade de Leonardo as complicações ocorrem em menos de 10% dos casos.
O serviço de Transplante de Medula Óssea do Hospital de Clínicas existe há 18 anos. Mais de 50% dos pacientes transplantados estão recuperados e têm vida normal. Em algumas doenças e em alguns estágios, o índice de sucesso chega a 90%. No caso de Leonardo, os resultados positivos acontecem em 80% dos transplantes. Na fila de espera do HC estão 200 pacientes.





