Milagres que vêm do paredão
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sábado, 25 de agosto de 2007
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Jaguariaíva - O lugar é de difícil acesso, mas a paisagem é muito interessante. Às margens da PR-092, em um trecho sem asfalto, distante 22 km do Centro da cidade de Jaguariaíva (118 km ao norte de Ponta Grossa), está um paredão de pedras, de aproximadamente 100 metros de altura, que chama a atenção não somente pela grandiosidade da formação rochosa, mas também pela história de misticismo que o ronda.
Em um lugar cercado por morros e montanhas, pagadores de promessas se dirigem para orar próximo às pedras e agradecer por bençãos recebidas. Os fiéis atribuem os milagres alcançados em suas vidas à uma certa Santa do Paredão. E pelo tanto de objetos deixados aos pés da cruz que foi levantada pela Igreja Católica junto às pedras, as graças não são poucas. Estão ali dezenas de muletas, caixas de remédios, óculos, cartas, fotos. Para muitas pessoas, as manchas que hoje existem nas pedras representam a imagem de Nossa Senhora Aparecida.
De acordo com o pároco da igreja matriz de Jaguariaíva, Genésio Berdinati, existem duas versões que justificam a história da devoção popular no lugar. A primeira e menos difundida delas diz que, no início do século 19, quando tropeiros que percorriam o caminho de Viamão - que ligava o Rio Grande do Sul ao interior de São Paulo - passavam pela região de Jaguariaíva, onde existia uma pousada no alto do paredão. Em certa ocasião, a filha do dono da pensão, que se chamava Emídia e era solteira, engravidou. Então, o pai a jogou lá de cima por não aceitar aquela transgressão aos bons costumes da época. Depois disso, pessoas começaram a ver uma mulher que aparecia nas pedras.
A segunda versão, mais difundida entre os devotos, diz que caçadores que se aventuravam em meio ao mato fechado da região, por volta de 1820, de repente foram guiados por seus cachorros até o paredão, de onde emanava uma forte luz e aparecia uma mulher que eles julgaram ser uma santa.
Com a história se espalhando por meio da propaganda boca a boca dos tropeiros, logo começaram as primeiras romarias até o lugar. Hoje, depois de alguns esforços do padre Berdinati, o local ganhou uma infra-estrutura, com escadas de concreto e pedra para facilitar a chegada ao paredão, churrasqueiras e banheiros.
''Quando cheguei a Jaguariaíva, há 22 anos, percebi que o lugar era muito místico. Havia inclusive o trabalho de outras religiões por lá, como a umbanda. Então decidi fazer celebrações no paredão. Atualmente temos uma festa anual, que acontece no último domingo do mês de maio e atrai mais de 10 mil pessoas'', relata.
Questionado sobre a sua crença na santa, o padre diz ser ''muito frio para essas coisas''. ''Sinceramente, eu não consigo ver a tal imagem que as pessoas dizem estar nas pedras. Só vejo ali manchas de fungos. Porém como líder religioso não tenho que ditar normas, mas obedecer a vontade do povo e acreditar em sua fé. Aproveito essa situação para despertar uma consciência ecológica em nossa comunidade, mostrando a importância de se preservar a beleza de nossa região. Na festa do mês de maio vamos até lá fazendo uma caminhada ecológica. Vivemos momentos dos mais agradáveis em contato com a natureza'', finaliza o padre.


